Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007
Noutro formato
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Miguel Morgado
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Um ano depois
O texto para a Atlântico foi escrito no início de Setembro e teve como causa próxima a inauguração de uma estátua de Nelson Mandela junto ao parlamento britânico. Depois veio a vitória da selecção sul-africana no mundial de rugby. Sob o ruído dos festejos multirraciais ouviram-se críticas políticas ao predomínio branco entre os atletas: tal como nos coros de uma ópera de Gluck, a alegria exteriorizada era enganadora, a harmonia aparente e as palavras um prenúncio de violência e tragédia.
Os líderes do ANC intensificam a retórica da ‘discriminação’ e da ‘injustiça histórica’, um discurso hostil à população branca e que pretende legitimar um programa extenso de medidas legislativas de controlo sobre todos os elementos relevantes da vida social. Esta hostilidade coexiste com conflitos internos entre facções tribais. Conjugadas representam uma ameaça ao crescimento económico e impossibilitam a existência de uma democracia liberal, culturalmente cosmopolita, uma visão da África do Sul pós-apartheid incorrectamente considerada como o ideal político de Nelson Mandela. Foi sobre essa impossibilidade e sobre a natureza do regime político Afrikaner que escrevi para a Atlântico.
Por fim, um ano de Cachimbo. À partida pretendia escrever com maior regularidade, mas primeiro a pouca disponibilidade de tempo e depois alguma saturação acabaram por resultar numa participação mais ocasional. Em todo o caso, foi um prazer e um privilégio partilhar esta página com os restantes membros do Cachimbo. Agora vem aí o Outono, há livros e discos à espera e a minha necessidade de consolo satisfaz-se com uma simplicidade burguesa.
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FCG
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O Princípio de São Peter
Não deixa de ser delicioso que o Daniel Oliveira dê conselhos à Igreja católica sobre quem deve ou não aceder à santidade...
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Pedro Picoito
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2007
O seu quintal
Disse ela que há assuntos mais graves para o Procurador se preocupar [sic] – esta inacreditável arrogância (a roçar a má educação) só pode partir de uma pessoa que vê as escolas como o seu quintal. Como se as escolas fossem bolhas de realidade alheias à saudável aplicação da Lei. São os quintais privados da senhora. Mesmo que o fossem...
Alguém lhe devia recordar que ela, afinal, não passa de uma Ministra. Não, não é ironia. Repito: não passa de uma Ministra. Não é proprietária daquilo que governa. Prolongando a metáfora, ela não passa de uma caseira encarregada de cuidar do nosso quintal.
E má caseira. Deixa crescer as ervas daninhas em terra própria para boas culturas ao mesmo tempo que se encarniça cegamente, ajudada pelos seus dois sub-caseiros, a espalhar herbicida onde não deve: desta maneira, vai, com afã criminoso, queimando as melhores plantas do quintal, desde as maiores, que já davam bom produto e boa sombra, até às mais tenras, promessa de frutos mimosos. É uma caseira que vai deixar a nossa propriedade literalmente inculta.
Só mais uma coisa. A Ministra, no ataque ao Procurador, referiu-se, note-se, à violência sobre as crianças [sic]. Pinto Monteiro tinha sublinhado a violência sobre os professores. Há aqui uma escolha deliberada da Ministra. Ela pretende, assim, esbater o problema mais sério. É de longe bem mais grave, mais perigosa, a violência exercida sobre os professores por parte de pais e alunos do que a que acontece entre estes últimos. Só uma cegueira verdadeiramente criminosa permite ignorar uma evidência destas. Há aqui qualquer coisa de tremendamente errado.
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Carlos Botelho
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Vergonha? Are you talking to me?
Era inevitável. A propósito da recente beatificação de 498 mártires da Guerra Civil espanhola por Bento XVI, a esquerda blogosférica clama que é um escândalo fazer a coisa na semana em que o governo de Zapatero leva a votos a Lei da Memória, destinada justamente (esperemos...) a reabilitar as vítimas do franquismo.O Nuno Ramos de Almeida, na sua candura (restos dos amanhãs que cantam?) estranha a "coincidência" e que não sejam também beatificados os muitos padres bascos mortos pelos nacionais por se manterem "leais aos direitos do povo basco", o que indiciaria estarmos diante de uma "beatificação política e não religiosa". Eu não sei em que mundo é que o Nuno Ramos de Almeida vive, e também não sei se ele sabe (talvez num mundo onde as beatificações nunca são susceptíveis de leituras políticas), mas aconselho-o a informar-se bem sobre estes padres "leais aos direitos do povo basco". É capaz de descobrir alguns carlistas, que é como quem diz os miguelistas lá do sítio, gente que detestava os espanhóis por serem mestiços de mouros e terem acabado com os foros feudais do "povo basco". Gente, portanto, mais reaccionária que o próprio Franco. Na volta, até foi por isso que os franquistas os assassinaram. Não sei é se será um grande motivo para beatificações: alguém podia ver no caso uma manobra política para santificar o carlismo. E nós não queremos beatificações políticas, pois não?
Já o Daniel Oliveira, sempre pronto a envergar a toga de moralista, acusa a Igreja de "falta de vergonha" porque, às suas "simpatias pela ditadura franquista", junta agora o "esquecimento" das vítimas do outro lado. Convém, no entanto, que ele se lembre do que foi o o outro lado.
Em Espanha, tal como em Portugal, em França e no México, a República de então foi violentamente anticatólica. Não quero maçar-vos com pormenores para não me tornar o grande educador dos intelectuais fracturantes, mas lembremos factos. Estima-se que, durante a Guerra Civil, entre oito mil a dez mil padres, religiosos, freiras e leigos tenham sido mortos, por vezes depois de torturados, pelo simples facto de pertencerem à Igreja. Os números não são conhecidos com todo o rigor porque as valas comuns também se tornaram uma prática corrente dos rojos. Além disso, estes assassínios aconteciam ao sabor da fúria dos célebres comités revolucionários. Não havia qualquer tipo de processo ou julgamento, o que dificulta um pouco a contagem. Muito desorganizados, estes latinos. Os alemães é que sabiam.Na verdade, a perseguição começou ainda antes da Guerra propriamente dita. Entre Fevereiro de 1936, data da vitória da esquerda nas eleições, e Julho, início da sublevação militar da direita, foram mortos 17 padres e saqueados vários conventos em Madrid, Barcelona e Valência. No das carmelitas da capital catalã, os túmulos das freiras foram profanados e os cadáveres expostos, como se pode ver pela imagem que, com a "falta de vergonha" típica da minha malta, submeto à sensibilidade de vexas.
A partir de Julho, o ritmo de execuções tornou-se frenético. Cito Andrea Riccardi, que me fornece estes dados: "De 18 de Julho até ao final do mês, as vítimas do clero foram 861; em Agosto 2077, a uma média de 70 por dia. Durante o Outono, os assassínios continuaram, se bem que em número inferior, e desde o princípio de 1937 caíram sensivelmente" (O Século do Martírio, Lisboa, Quetzal, 2002, p. 316).
Não tão sensivelmente, porém, que José Diaz, secretário-geral da secção espanhola da III Internacional, não pudesse afirmar com orgulho em Março de 1937: "nas províncias em que temos o poder, a Igreja já não existe. A Espanha superou em muito a obra dos soviéticos." Para certas dioceses, o massacre foi realmente metódico. Em Barbastro, por exemplo, dos cerca de 120 padres que havia antes da guerra, sobravam 1
2 quando esta terminou. É possível que algum tenha morrido de morte natural.A falta de memória dos nosso lefties, contudo, vai mais longe. Acompanhando esta imagem aqui ao lado, o Nuno Ramos de Almeida tem uma frase que vale a pena citar. "Setenta anos depois dos nazis da Legião Condor terem arrasado a vila basca de Gernika, o alemão Ratzinger vem dar uma ajudinha a um lado do conflito da memória." Até um troglodita de direita como eu percebe que o Nuno Ramos de Almeida está a acusar o Papa de ser nazi. E, por extensão, os incautos bispos que estão a fazer a saudação romana sem saber onde se meteriam setenta anos depois. Por mim, acho que ele está a confundir o Ratzinger com o Gunther Grass.
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Pedro Picoito
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Diarreia legislativa
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Paulo Marcelo
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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007
Jesus de Nazaré pelo Papa Bento
Foi finalmente publicado em português de Portugal -os brasileiros levaram meses de avanço- o novo livro de Bento XVI, Jesus de Nazaré. É o primeiro livro escrito pelo novo Papa desde a sua eleição. Vestindo a capa de teólogo, Ratzinger procura demonstrar a coincidência entre a dimensão religiosa e a dimensão história de Cristo. Num cunho mais pessoal, Bento revela o resultado da sua busca pessoal pelo “rosto do Senhor”.Há hoje uma conferência de Jacinto de Farias, teólogo e tradutor do livro para português (directamente do alemão) sobre o livro, no Palácio da Independência (Rossio) em Lisboa, às 21.30h. Recomenda-se.
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Paulo Marcelo
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E vai ser o fim do mundo
«O desastre vai ser brutal, as dificuldades imensas, o próximo presidente vai ter uma administração hipotecada»
Para além de um certo défice de criatividade no apontar do(s) suspeito(s), tenho alguma dificuldade em perceber exactamente onde é que está o crime. No post citado aponta-se o défice, o que até não é um mau ponto de partida do ponto de vista do réu Bush, na medida em que normalmente o argumento que lhe é atirado é-o no plural: défices gémeos.
O défice da conta corrente é um tema que deixará a maior parte dos leitores a dormir, mas gostava apenas de lembrar que este défice já existia e era apontado como alarmante quando os números se situavam em USD $1Bi/day (4,4%/GDP)na passagem de testemunho de Clinton. Estará hoje em 7%/GDP e as opiniões continuam a variar, desde os que continuam (com as cordas vocais algo cansadas) a gritar "lobo!" até quase o extremo oposto, colocando-o como uma consequência de sucesso que será ajustada se e quando o mercado financeiro o ditar sem qualquer tipo de "dor".
Mas voltando ao défice orçamental, a política aplicada não é assim tão distinta da aplicada por Reagan, mas estranho os argumentos sobretudo no Insurgente. Seria razoavelmente simples (no papel) fazer recuar um pouco mais os valores do défice, bastando para tal fazer o roll-back dos cortes nos impostos e acabar com presença militar externa, nomeadamente os custos (directos e indirectos) da guerra no Iraque e no Afeganistão. Mas parece que é precisamente a questão orçamental da administração Bush que está a caminhar num óptimo sentido, com as últimas notícias oficiais a fixar o valor do défice como o mais baixo dos últimos 5 anos: 1,2%/GDP. A descida do défice deve-se não só a um controlado crescimento de despesas mas sobretudo a um crescimento de receitas fiscais benigno, na medida em que advém não de um aumento das taxas mas antes de uma resposta positiva da actividade económica. A administração Bush puxa os louros para si, alegando mérito nos famosos tax cuts que estimularam a economia e pagaram-se a eles próprios. A verdade é que, mesmo descontando alguma propaganda, há obviamente mérito na política fiscal, e as previsões de valores de défice (e de anulação) para os próximos anos são crescentemente optimistas. Atenção porque o "budget year" vai de (1) Outubro a (1) Outubro seguinte (exc.), pelo que as contas já foram apresentadas neste mês.
Temos então, com cortes de impostos e em guerra, 1,2%GDP (and counting) de défice. É isto que seriamente deve ser comparado à tal saída da NATO?
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Manuel Pinheiro
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Domingo, 28 de Outubro de 2007
Tugendhat
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Miguel Morgado
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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007
Três coisas que não se esquecem
O Professor Steiner chegou à pequena tribuna com os seus papéis sobraçados. Descobriu lá uma caneta esquecida por Rui Vilar, que tinha falado antes. Pegou na caneta. Não sem uma certa dificuldade, atravessou todo o palco e foi entregá-la a Vilar.
Contou-nos como, uma vez, inscrevendo e explicando uma série numérica num quadro, tinha conseguido fazer acordar (awake) a noção do infinito num grupo de crianças desfavorecidas. A noção do infinito.
Ao chegar à saída do Auditório, ainda me voltei. Vi o Professor de costas, desaparecendo já para trás do palco.
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Carlos Botelho
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Carta para comprar um banco
Se alguém precisar de uma minuta de carta a propor a compra de um banco -nunca se sabe o futuro- aqui fica esta. Leitura interessante para o fim-de-semana, com várias mensagens subliminares. Uma lição em sete páginas sobre como comprar um banco sem gastar de dinheiro.
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Paulo Marcelo
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Comentário assassino para Santana
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Filipe Anacoreta
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007
Scoring
«A razão pela qual vocês portugueses têm menos menos sexo é porque não conseguem fazer o que eu faço. Sabendo que tenho uma taxa de sucesso com as mulheres de aproximadamente 10%, quando entro num bar selecciono 10 ou 15 mulheres com quem acho que posso ter sucesso. Vou à primeira e ela diz não. Vou à segunda e ela diz não. Vou à terceira e assim sucessivamente. Sei que, tendencialmente, uma vai dizer que sim. É tudo uma questão de resistência psicológica. Vocês portugueses entram num bar, escolhem a mulher que preferem, têm de beber 5 cervejas para ir falar com ela, e se ela diz não vão chorar para casa.»
(Nota técnica: declara-se para os devidos efeitos que os "portugueses" era uma generalização. No Cachimbo só se aceitam bloggers com altos índices de rendimento)
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Manuel Pinheiro
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Ainda a Deselitização
Um mercado rígido, burocratizado e relativamente pobre será não só mais lento como não conseguirá gerar consistentemente fenómenos como Bloomberg ou outros. É também a natureza do nosso mercado que explica a deselitização que o PPD-PSD vive. Comparativamente a outros e melhores mercados há menos pessoas, há menos dinheiro, há menos tempo.
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Manuel Pinheiro
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E isso não se admite (aos outros)
Diz-se que política e negócios são mundos distintos, mas por acaso as pessoas são as mesmas, e o seu padrão de decisão é transversal (excepto para quem tenha personalidades múltiplas). Infelizmente, como se viu, o partido reflectiu o país também naquilo que são os seus defeitos: a fuga ao risco, ao confronto, à exposição, a dificuldade em distinguir derrotas de Derrota e encarar as primeiras como passo incontornável na vida. O resultado desta matriz no partido é o que sê. No país também, e o que a turba esquece ou pretende dissimular é que a crítica que faz é a ela própria. Como diria o Doutor Soares, não é bonito. As pessoas devem ser condescendentes com os seus semelhantes.
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Manuel Pinheiro
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Da Série "Grandes Dúvidas"
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Miguel Morgado
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Bastonário dos Médicos arrasa Ministro da Saúde
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Paulo Marcelo
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007
Os pobres
Hoje, os indigentes nos países desenvolvidos, entre os quais Portugal se conta, não são na maioria pessoas que tenham nascido na pobreza, mas pessoas que caíram na pobreza: toxicodependentes, mães solteiras, famílias monoparentais, desempregados de longa duração, incluindo os imigrantes, velhos e deficientes abandonados. São o fruto amargo da broken society, uma sociedade que aumentou o nível de vida para todos, mas criou também novos excluídos pela erosão dos laços sociais.
Dei-me conta disso, há muitos anos, quando comecei a fazer voluntariado na Musgueira, um bairro da capital entretanto demolido. As condições eram as típicas de qualquer aglomerado de barracas: caixas de chapa, todos clandestinas, minúsculas, apertadas, quase sem divisões, sem privacidade (dentro e fora), sem electricidade, a não ser através de uma ligação directa aos postes da EDP, e sem água canalizada, o que provocava o cheiro que se imagina, ou talvez não, porque nunca se imagina antes de lá entar. Eram raras, raríssimas, as que tinham casa-de-banho. Eram ainda mais raras as que não tinham uma antena parabólica. Aquelas pessoas, que viviam pior do que muitos animais, tinham falta de tudo, mas não de uma televisão. Preferiam a MTV à água canalizada. Não as critico. Foi uma grande lição para mim, aos 15 ou 16 anos, ver que a pobreza não estava tanto na falta de bens, mas na falta de consciência da própria dignidade.
O que significa que a pobreza já não é um problema assistencial, mas um problema cultural e social no sentido mais amplo. O combate à pobreza não passa só pela acção distributiva do Estado, das Misericórdias ou de instituções de solidariedade privada como o muito louvável Banco Alimentar. Isso é ainda necessário nos casos mais graves, sem dúvida. Mas a urgência principal talvez esteja em políticas que reforcem a liberdade e a responsabilidade dos pais, das familias, das escolas, das associações voluntárias, das comunidades intermédias em que Burke e Tocqueville viam palpitar uma sociedade de homens capazes de tomar o próprio destino nas mãos.
Combater a pobreza é lutar pela liberdade e pela qualidade de ensino. Aquilo de que precisa uma criança da Musgueira não é de ir obrigatoriamente para a escola mais próxima, onde todos os colegas têm as mesmas expectativas, ou seja nenhumas, e professores muito progressistas valorizam os seus "saberes" alternativos, sem lhe ensinarem o Português e a Matemática indispensáveis no mercado de trabalho. Português e Matemática que os filhos da classe média aprendem em melhores escolas, públicas ou privadas, porque os pais fazem um enorme esforço financeiro ou sabem preencher papéis com a morada certa.
Combater a pobreza é não facilitar a ruptura familiar através de leis bem intencionadas, mas perigosas, como o "divórcio na hora". Para além de todas as consequências que o divórcio tem na vida de cada um, e que nunca são agradáveis, o fim do casamento é uma das causas mais seguras de pobreza para a mulher, que fica geralmente com os filhos a cargo sem ter o mesmo apoio económico do marido.
Combater a pobreza é passar claramente a mensagem de que a droga é um mal porque destrói um de nós, e não apenas uma questão sanitária que só diz respeito ao "direito ao corpo" do próprio. Podemos diminuir a incidência da SIDA distribuindo seringas nas prisões, mas não será isso, bem pelo contrário, o que vai diminuir o consumo nas ruas.
Combater a pobreza é incentivar as famílias com parentes mais velhos a cuidar deles em casa, deduzindo nos impostos o que gastariam com eles num asilo ou nos muitos cuidados de saúde que teriam de garantir se eles vivessem sós.
Os exemplos poderiam multiplicar-se e tu conheces por certo muitos outros. A pobreza tem muitos rostos, mas, quando a olhamos de frente, é sempre um reflexo do que somos e do que queremos ser.
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Pedro Picoito
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Uma nova constituição para Portugal? (II)
Vou dar o benefício da dúvida ao novo líder do PSD. Talvez ele quisesse apenas provocar um “abanão” constitucional para iniciar o debate sobre a revisão “ordinária” de 2009.
Na constituição económica, defendo a eliminação de certas disposições anacrónicas como a proibição dos latifúndios, as organizações de moradores, a economia planificada (políticas agrícola, comercial e industrial) e as referências à “gratuitidade” dos serviços públicos, que têm impedido reformas na área da saúde e da educação.
No plano político, deveria desaparecer a regionalização, recusada no referendo de 1998, e acabar o monopólio dos partidos políticos nas candidaturas à Assembleia da República. Sobre o Tribunal Constitucional parecem excessivas as críticas de Menezes. Seria um erro a integração no Supremo Tribunal de Justiça.
Na área social, eliminar a obrigação do Estado promover o “pleno emprego” (art. 58.º) e a garantia de “segurança no emprego” (art. 53.º) que têm conduzido, na prática, à generalização dos contratos a prazo e a um elevado desemprego em Portugal.
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Paulo Marcelo
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Terça-feira, 23 de Outubro de 2007
Uma nova constituição para Portugal?
A Constituição de 1976 é muito portuguesa nas suas virtudes e defeitos. É pós-revolucionária por resultar da tensões pós-Abril, o que explica os compromissos que tem dentro de si. Não é socialista, mas também não é liberal, com uma extensa lista de direitos económicos, sociais e culturais. Não é presidencialista, sem ser totalmente parlamentar, concentrando largos poderes no primeiro-ministro. Combina a unidade do Estado com autonomia local e regionalização. É justo reconhecer, apesar de tudo, que o sistema tem funcionado, existindo um certo equilíbrio entre os poderes constituídos.
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Paulo Marcelo
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A sorridência
Não obstante, tenho passado - desde há meses para cá - alguns largos momentos a navegar pela escrita imensa, vocacionada para todos os gostos, feitios e tendências, que imensamente é descarregada, todos os dias, neste multifacetado universo.
E então verei, de uma vez por todas, onde vim parar.
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Gonçalo M Vassalo Moita
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007
Da série "Posta restante"
Francisco Sarsfield Cabral, in Público, 22/10/07
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Pedro Picoito
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Crónicas do planeta oval (16)
E quando todos esperavam que Wilkinson voltasse a ser o D. Sebastião britânico no nevoeiro da final, foi o jovem Mathew Tait, com duas trocas de pés de se lhe tirar o chapéu de coco, quem abriu uma auto-estrada na defesa sul-africana, mais impenetrável que o Kalahari às três da tarde, e ofereceu o ensaio a Mark Cueto. Ensaio mal anulado, atrevo-me a dizer.
Já os chutadores austrais tiveram seis: Montgomery marcou quatro, Steyn uma e ainda deu para falharem outra. Ou seja, o número 10 da rosa esteve melhor, mas o seu pack fez o triplo das faltas.
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Pedro Picoito
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O Bush não conta
O meu amigo Duarte chamou-me a atenção para o tratamento dos jornais portugueses à recepção de Bush ao Dalai Lama na Casa Branca: grandes aplausos para o líder tibetano –com direito a setinha para cima no Público– mas ninguém se lembrou de louvar a coragem do presidente americano ao enfrentar a fúria chinesa. Bush esteve também no Capitólio para participar na cerimónia de atribuição da medalha de ouro do Congresso norte-americano ao líder tibetano. Recordo aqui, em contraste, a cobardia realpolitik do governo português. Mas o Bush não conta, claro, é dos maus.
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Paulo Marcelo
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Domingo, 21 de Outubro de 2007
O Império Europeu (2)
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Miguel Morgado
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O Império Europeu
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Miguel Morgado
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Sábado, 20 de Outubro de 2007
Uma curiosidade antropológica
Sentimos escândalo, porque partimos sempre do princípio que certas pessoas não podem nunca dizer certas coisas. Sentimos por elas algo como uma simpatia “teórica” ou mesmo “pessoal”, ou ainda um “respeito intelectual”. E esse sentimento (não passa de um sentimento) bloqueia desde logo a possibilidade sequer de elas pensarem coisas que tomamos como impensáveis, proibidas.
Umas vezes, essas expectativas negativas (ele nunca dirá isto) não são adequadas, não fazem sentido. Por exemplo, qual é o estudante de Heidegger que não experimenta, no mínimo, um desconforto ao vir a saber da militância política do filósofo nos anos trinta? Ou quando sabemos da atitude... pouco edificante de Newton para com Hooke? Tudo se passa como se um pensador, um “génio”, não pudesse de modo nenhum ser uma criatura pessoalmente pouco recomendável ou um adepto de ideologias criminosas. Mas pode. Porque não haveria de poder?
Não é esse o caso com James Watson. Acontece que ninguém pode dizer seriamente que “os negros são menos inteligentes do que os brancos”. É o tipo de parvoíces que, apesar de tudo, se podem ouvir, apiedadamente, de algumas pessoas. Mas não de outras.
Para lá dos problemas que levantam as expressões “mais” e “menos” aplicadas à qualidade “inteligente” (não é de todo o mesmo que dizer “este pau tem mais 10 cms de comprimento do que aquele”...), há ainda a questão de, com o artigo definido “os”, se reunir (confusamente) no mesmo saco um “grupo” de seres humanos, fazendo tábua rasa de toda a incrível e inabarcável complexidade de um único humano. “Os” negros, “os” brancos.
Que sentido tem, realmente, dizer-se: “os negros são menos inteligentes do que os brancos”? Mediu-se a inteligência de todos os Negros e comparou-se com a medida da inteligência de todos os Brancos? E amostras – há-as? Pode haver? Deve haver? Uma pesquisa que procure aferir se certos humanos preferem gelado de baunilha em contraste com outro grupo de humanos que prefere gelado de morango tem a mesma qualidade ética (trata-se de decência, aqui) que uma pesquisa que procurasse determinar se os Brancos são mais ou menos inteligentes do que os Negros?
Os brancos (muito brancos) louros suecos são mais ou menos inteligentes do que os morenos italianos? Um Lapão é mais inteligente do que um Cretense? Um Minhoto é menos inteligente do que um Algarvio? E, relativamente a “os” negros e a “os” brancos, que lugar ocupam no podium “os” amarelos? E que amarelos? Os Mongóis? Os Japoneses? E onde ficam os Australóides?
Os Árabes (que Árabes?) são mais cruéis do que os “outros”? Os Judeus (que Judeus?) são mais gananciosos do que os Gentios? Os Católicos são mais risonhos do que os Baptistas?
E que dizer da força científica da prova apresentada por Watson? – quem tem um empregado negro sabe que etc.
É possível que o descobridor da estrutura do ADN padeça duma espécie de confinamento do olhar. Não é o primeiro. Não será o último. Um olhar incrivelmente atento, perspicaz, a um determinado ponto. Mas que deixa literalmente de fora outras realidades. Outras verdades.
É também surpreendente que, no nosso blog vizinho, o 31 da Armada, Rodrigo Moita de Deus tenha comentado o episódio desta maneira. Equiparar (sim, é o que ele, na verdade, faz) uma mera opinião disparatada de um cientista com o trabalho científico de Copérnico é estranho, to say the least. Não quero ser injusto, mas parece haver aí uma espécie de fúria “liberal” que à mínima crítica a uma opinião “politicamente incorrecta” de alguém, dispara de imediato com a denúncia do obscurantismo que quer sufocar as verdades incómodas, etc, etc. Será um sintoma da autêntica doença infantil do liberalismo que grassa por muitos blogs.
Acontece que, muitas vezes, uma opinião “politicamente incorrecta” é, também, incorrecta tout court.
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Carlos Botelho
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Crónicas do planeta oval (15)
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Pedro Picoito
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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007
Vomitivo
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Carlos Botelho
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A parábola dos cegos
A cegueira continental dos burocratas que governam a Europa está resumida na frase que o Público atribui hoje a Jean-Claude Juncker, Primeiro-Ministro do Luxemburgo: "Haverá um acordo [sobre o novo tratado europeu] em Lisboa porque tem de haver um acordo em Lisboa".
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Pedro Picoito
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Deborah Kerr (1921-2007)
Morreu Deborah Kerr e todos se lembram do seu beijo "From Here to Eternity", em parceria com Burt Lancaster .
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Pedro Picoito
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A mulher de César e tal
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Pedro Picoito
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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007
Os Despojos da Aliança
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Pedro Picoito
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Da série "A concorrência faz melhor"
Por distracção, quase me esquecia de assinalar este post-artigo de Rui Ramos sobre o 5 de Outubro.
Está lá tudo, é só ler.
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Pedro Picoito
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Memória de Adriano
Já sei que o camarada Van Zeller e os direitistas de passagem me vão bater, mas paciência: gosto muito do Adriano Correia de Oliveira. E houve um tempo em que ainda gostava mais, o tempo em que toda a gente ouvia Pink Floyd, Dire Straits e - nos casos perdidos - Mike Oldfield, enquanto eu dedicava tardes inteiras ao Adriano, ao Zeca e ao Vitorino. Uma adolecência rebelde, como vêem.
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Pedro Picoito
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Orfeu ao pequeno-almoço
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Pedro Picoito
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As deselites (2)
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Pedro Picoito
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Marca Portugal
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mafalda avelar
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Quarta-feira, 17 de Outubro de 2007
Regresso ao passado
Santana Lopes andava por aí, embora o julgássemos morto e enterrado. Esta será a sua grande oportunidade para se reabilitar politicamente. Talvez seja mesmo o primeiro passo para uma nova caminhada para a liderança. Em qualquer caso, é um regresso ao passado do qual discordo profundamente.
Só vejo uma vantagem: vamos perceber rapidamente que as semelhanças entre Luís Filipe Menezes Lopes -não é gralha- e Pedro Santana Lopes não estão apenas no nome.
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Paulo Marcelo
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2007
Leopardos
O Pedro Mexia e o Pedro Lomba voltam ao comentário político em blogue. E já lá têm um post sobre a nova Constituição do Dr. Menezes...
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Pedro Picoito
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15:14
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As deselites
Manel, concordo no essencial com a tua análise da "deselitização" do PSD. A ausência dos notáveis em parte incerta, ou demasiado certa, não será mais do que fruto da vitória dos ideais pelos quais o partido lutou durante anos. Temos a liberdade, temos a democracia, temos a Europa: a urgência da política não é hoje tão grande como no tempo da real ameaça do socialismo real.
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Pedro Picoito
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00:26
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Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007
Mechanism Design Theory for Dummies
No Portfolio.com:
No MR uma tentativa de resumo: Mechanism Design for Grandma
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Manuel Pinheiro
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18:42
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Lá e cá
Da Venezuela continuam a chegar notícias curiosas. Segundo o Público de hoje, Hugo Chávez quer rever a Constituição para impedir a "acumulação de riqueza" e construir "o socialismo do século XXI". O projecto implica, disse ele há uma semana, "a socialização dos meios de produção, da propriedade pessoal, da propriedade familiar, da pequena propriedade privada, da pequena empresa, da média empresa, em função do socialismo e dos interesses sociais". Boas intenções, já se sabe.
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Pedro Picoito
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17:28
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No aniversário de Agustina
Agustina Bessa Luís, A Sibila (1953)
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Pedro Picoito
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17:16
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Crónicas do Planeta Oval (14)
Nem chegou a haver suspense. A África do Sul venceu a Argentina sem apelo nem agravo por 37-13. Os springboks devoraram os pumas. A savana ganhou à pampa. O canto zulu soou mais alto do que o tango. Calvino fulminou Gardel. Tolkien foi melhor que Borges. (Não, esta não... Nota-se muito que estou entusiasmado?)
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Pedro Picoito
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15:48
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Nortistas, basistas e socialistas
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Pedro Picoito
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15:33
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Rafting, paintball e bungee jumping
No Sábado, convidou em público Manuela Ferreira Leite para um cargo de confiança política.
No Domingo, atou a bancada parlamentar a Santana Lopes.
Não sei se o PSD está preparado para tanto desporto radical.
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Pedro Picoito
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15:23
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Trio de Ataque III
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Manuel Pinheiro
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14:30
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Trio de Ataque II
The Sveriges Riksbank Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel 2007:
«The design of economic institutions
Adam Smith's classical metaphor of the invisible hand refers to how the market, under ideal conditions, ensures an efficient allocation of scarce resources. But in practice conditions are usually not ideal; for example, competition is not completely free, consumers are not perfectly informed and privately desirable production and consumption may generate social costs and benefits. Furthermore, many transactions do not take place in open markets but within firms, in bargaining between individuals or interest groups and under a host of other institutional arrangements. How well do different such institutions, or allocation mechanisms, perform? What is the optimal mechanism to reach a certain goal, such as social welfare or private profit? Is government regulation called for, and if so, how is it best designed?
These questions are difficult, particularly since information about individual preferences and available production technologies is usually dispersed among many actors who may use their private information to further their own interests. Mechanism design theory, initiated by Leonid Hurwicz and further developed by Eric Maskin and Roger Myerson, has greatly enhanced our understanding of the properties of optimal allocation mechanisms in such situations, accounting for individuals' incentives and private information. The theory allows us to distinguish situations in which markets work well from those in which they do not. It has helped economists identify efficient trading mechanisms, regulation schemes and voting procedures. Today, mechanism design theory plays a central role in many areas of economics and parts of political science.»
Mais, aqui.
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Manuel Pinheiro
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12:33
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Domingo, 14 de Outubro de 2007
Crónicas do Planeta Oval (13)
é a que se arrastou pela fase de grupos, chegando a perder por 36 secos com a África do Sul, e a segunda é a que eliminou sucessivamente as favoritas Austrália e França para chegar à final. Wilkinson rules. Ontem, a pátria do rugby voltou vencer a Guerra dos Cem Anos graças ao seu pezinho mágico. O resultado de 14-9 sugere que a diferença se deve ao ensaio de Lewsey aos dois minutos, mas todos os outros pontos ingleses são do número 10. Ainda sob a sombra da lesão e longe da eficácia económica que levou Max Weber a ver na ilha o berço do capitalismo, Wilkinson tem, no entanto, uma arma secreta decisiva: o pontapé de ressalto. Foi com um que selou a derrota dos anfitriões ontem, foi com um que ganhou a final de 2003 no último minuto.
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Pedro Picoito
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19:26
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"Bob Denard", o Mercenário, ou viver perigosamente nos trópicos
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Miguel Morgado
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A renovação que se impõe
Valores.
Repararam naquelas moças que iam, esplendidamente, fornecendo os copos de água aos oradores no Congresso?
Já são militantes?
Então? De que é que estão à espera para as recrutar?...
[...Para Secções de Lisboa, por exemplo...]
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Carlos Botelho
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Trio de Ataque
Filipe,
No que toca à "presença mais relevante", não te esqueças da Amália e do Eusébio.
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Manuel Pinheiro
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01:25
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Da "deselitização" do PSD
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Manuel Pinheiro
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01:20
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Sábado, 13 de Outubro de 2007
Um discurso, finalmente
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Carlos Botelho
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19:46
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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007
90 anos
Quem a vê creio que ficará sobretudo impressionado não tanto pela sua dimensão, mas mais pela sua beleza, equilíbrio e serenidade que transmite.
90 anos depois das aparições de Nossa Senhora na Cova de Iria - nos 90 anos também da Revolução da Rússia -, aí está mais um pequeno sinal de que, ao contrário do que estava planeado, depois de 3 e 4 gerações, a celebração do divino continua, afinal, a ser motivo de luz, de equilíbrio e de força.
Entretanto, o plano de extermínio da religião da 1ª República já não tem memória; Salazar teve que gramar Paulo VI e o Império caiu de uma cadeira; no mundo, o comunismo tentou, para azar de muitos, a sua sorte, mas os seus muros também não se aguentaram.
Fátima testemunha a história de um povo fiel. Um povo que foi também vítima de um século que quis, por momentos, matar Deus.
Nunca fui fã de Fátima e para ser franco cheguei mesmo a abominar: as representações do divino, a mensagem dorida, a religiosidade ritual, a fealdade comercial circundante...
Mas há coisas que não se podem negar. E Fátima é provavelmente a presença mais relevante que Portugal tem na história mundial do século passado.
E se quis o acaso que estes 90 anos se completassem durante a Presidência Portuguesa da UE, talvez pudesse ser um sinal também para os líderes europeus aprenderem que nada de autêntico se pode construir sem a grandeza dos simples. E sem o enraizamento no nosso património que também é espiritual e que leva a que entendamos tão bem o que um grego concebeu.
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Filipe Anacoreta
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Crónicas do planeta oval (12)
Depois dos prodígios de Sábado, coube à África do Sul e à Argentina trazer um pouco de ordem ao caos no planeta oval.Os pumas eliminaram a Escócia, tal como haviam feito à Irlanda. Já lhes chamam "o flagelo dos celtas". Alguém disse, e acertou, que os argentinos são italianos que falam espanhol e se julgam ingleses...
Quanto aos springboks, ganharam às Fiji por 37-20 e são os meus favoritos a vencer a França na final. Mas o resultado não faz jus às enormes dificuldades que sentiram no jogo de Domingo passado, o melhor que vi até agora muito por culpa dos pouco ortodoxos fijinos (é assim que se diz?). Imprudentes a defender e desordenados a atacar, como sempre, os homens do Pacífico jogam à mão de todo o lado e quase sem posições fixas. As fases estáticas não passam, para eles, de um mal necessário. Se o conceito de rugby total existe, deve ser mais ou menos isto: bola sempre viva, glorioso desprezo pela defesa o pé, avançados no lugar dos três-quartos e um médio de formação endiabrado, Moses Rauluni, que pôs a as duas equipas a corrrer atrás dele.
O melhor em campo, liderou as Fiji na sua finest hour. Aos 50 minutos, a África do Sul passou a ganhar por 28-6, com um ensaio convertido que se juntava aos dois da primeira parte. Quase ao mesmo tempo, o poderoso centro Rubeni foi temporariamente expulso devido a uma placagem alta (outra, e menos simpática, imagem de marca dos ilhéus). Todos pensámos que seria o fim das Fiji. Qual quê! Pouco depois, marcavam e convertiam dois ensaios, um deles numa jogada espantosa que começa bem cá atrás e em que Rauluni foge trinta metros ao formação e ao asa contrários. 20-20.
Senhores, o gigante africano tremeu...
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Pedro Picoito
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A/C Pedro Picoito
Caríssimo, consciente do clássico problema com o teu telemóvel, o qual consegue a proeza de entrar em sintonia com uma antena da TMN com a mesma frequência com que tu consegues escrever um link que funcione, utilizo este blogue, pedindo desculpas a leitores e cachimbadores residentes, para te rogar entres em contacto comigo ou com o Francisco.
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Manuel Pinheiro
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16:49
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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007
Discriminação fiscal
O artigo 56.º do Código de IRS prevê que possam ser abatidos ao rendimento líquido total os encargos dos pais com pensões de alimentos dos filhos. Esta situação, aplicável sobretudo em situações de divórcio, configura uma escandalosa discriminação uma vez que não existe norma semelhante para deduções com despesas com os filhos de pais casados ou víuvos. Ou seja, em vez de apoiar positivamente a estabilidade familiar, situação objectivamente mais vantajosa, em regra, para os filhos menores e para a sociedade em geral, o Estado discrimina aqui as pessoas casadas. Reparem que não estou aqui a fazer nenhum juízo ético sobre a opção casamento/união facto/divórcio, mas apenas a ser coerente com as conclusões de vários estudos sociológicos sobre a importância social do casamento, designadamente, estudos recentes sobre famílias monoparentais nos EUA e Reino Unido.
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Paulo Marcelo
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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007
Tratado da Constituição
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Miguel Morgado
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22:23
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Excesso de zelo literário.
Vê-se, nisto, que Maria de Lurdes Rodrigues, Jorge Pedreira e Valter Lemos, leram o Modest Proposal do Swift. Provavelmente em tradução e não em estrangeiro. Temos de lhes reconhecer capacidade intelectual, porque só assim se explica que tenham conseguido interpretar 'Ireland' como Portugal e 'children' como professores. E este reconhecimento intelectual não é de todo desmerecido, porque só os animais humanos são capazes de estabelecer estas relações de sentido, estas analogias.
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Carlos Botelho
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12:11
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Crónicas do Planeta Oval (11)
Mais do que o Inglaterra-Austrália, o verdadeiro milagre do fim-de-semana rugbístico foi a vitória da França sobre a favoritíssima Nova Zelândia. Marx dizia que a história se repete: da primeira vez é uma tragédia e da segunda uma farsa. Marx nem sempre acerta. Com menos brilho do que em 99, a final antecipada de Sábado confirmou a tradição de serem os bleus a bête noire dos all blacks no Mundial (o trocadilho era fácil, mas não resisti).Tal como em 99, os gauleses pareciam ter tudo contra si. Vinham de uma qualificação pouco convincente, tinham perdido o último jogo contra o adversário por uns claros 42-11, em Junho, não jogavam em casa (era um dos poucos jogos a disputar-se fora do Hexágono - em Cardiff, não me perguntem porquê) e ao intervalo também estavam derrotados.
E, tal como em 99, deram a volta ao jogo aproveitando com imperial inteligência um momento de fraqueza dos maoris. A doze minutos do fim, durante a expulsão temporária de MacAllister, o centro neozelandês que marcara o primeiro ensaio do jogo e seria eleito man of the match, uma cavalgada dos três-quartos franceses abriu uma brecha na muralha negra por onde entrou Michalak, que serviu a estocada fatal a Jauzion em bandeja de prata. Podem ver o momento aí em cima. Um brilhante exemplo do estilo a que os britânicos chamam com mal disfarçada inveja french flair, a tradicional mistura de leveza e imaginação do jogo à mão, vivo, envolvente e aberto que os bleus sabem praticar como ninguém. Há quem lhe chame rugby champagne, e percebe-se porquê. (Aqui para nós, o último passe é um avant, um passe para a frente. Uma falta, portanto. Toda a gente viu, mas como toda a gente estava a torcer secretamente pela derrota da Nova Zelândia, ninguém disse nada. Excepto os quatro milhões de neozelandeses, claro).
Com o resultado em 20-18 e dez minutos para jogar, os momentos finais foram eléctricos. O pack neozelandês empurrou literalmente a França para a sua área de 22, em sucessivos e demolidores mauls que por duas vezes estiveram a escassos centímetros da linha de ensaio. Nada a fazer, porém. O destino não era negro. E Marx nem sempre acerta. A história repetiu-se, mas não foi uma farsa. Para os all blacks, foi a reedição de um pesadelo. E para os franceses... Bem, os franceses já pensam todos outra vez que são Napoleão e que vão ganhar o Mundial.
Talvez tenham razão. Com esta vitória, voltaram ipso facto ao estatuto de candidatos naturais ao trono. A Inglaterra ainda tem uma palavra a dizer, mas uma final entre os anfitriões e a África do Sul seria interessante. Dois estilos, dois hemisférios e quase duas gerações em confronto. Quem diria, quando na primeira jornada o sol da Argentina brilhou mais que a tricolor?
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Pedro Picoito
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12:11
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