Sinais de vida na Arábia Saudita.
Domingo, 30 de Setembro de 2007
girl pride
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Carlos Botelho
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90 Anos de Outubro (1)
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Miguel Morgado
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Mostra o mundo sinais de se acabar
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Carlos Botelho
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A oportunidade perdida que nunca chegou a ser
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Miguel Morgado
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A sinceridade de Ahmadinejad
O Presidente do Irão, provavelmente, disse a verdade. Homossexuais é coisa, é "fenómeno" que não há no seu país. Que já não há no seu país. Como se pode ver aqui.
[Pareceu-me preferível não expor o video neste post - trata-se de uma dupla execução por lapidação, no meio do entusiasmo bárbaro da multidão...]
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Carlos Botelho
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A gente sabe que isto bateu no fundo quando...
... Santana Lopes ganha o estatuto de reserva moral da nação e Menezes o de candidato a Primeiro-Ministro. Na mesma semana.
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Pedro Picoito
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Sábado, 29 de Setembro de 2007
Eterno Retorno
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Miguel Morgado
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PRD 2?
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Miguel Morgado
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Vítimas da noite
Logo no discurso de vitória de Menezes, a segunda vítima da noite foi a língua portuguesa.
A primeira já tinha sido o PSD.
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Carlos Botelho
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O mau ganhar
A elegância com que a claque (sim, a claque) de Menezes reagiu à comunicação final de Marques Mendes será sintomática da deriva lumpen que está a afectar o PSD.
Não admira. O exemplo vem de cima.
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Carlos Botelho
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Os Congressos é que eram emotivos e tal
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Manuel Pinheiro
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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007
Da série "A concorrência faz melhor"
"Choque educacional", do André Azevedo Alves.
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Pedro Picoito
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O dia dos prodígios
O arrufo do menino guerreiro por causa do bimbo guerreiro distraiu o país de um episódio não menos edificante: a vandalização de várias campas do cemitério judaico de Lisboa por dois skin-heads. Um era menor, o outro já tinha cadastro. Ninguém ficou em prisão preventiva.
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Pedro Picoito
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A Bem da Nação
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Pedro Picoito
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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007
King Newt's days are numbered
«Mr Johnson was confirmed as the party's candidate this morning after a Londonwide postal ballot in which around 19,000 Tories and 1,000 non-members voted.
He received 15,661 votes, compared with 1,869 for Kensington and Chelsea councillor Victoria Borwick, 1,674 for Hackney activist Andrew Boff and 609 for Warwick Lightfoot, another Kensington and Chelsea councillor. There were 206 spoiled votes.»
(Daqui)
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Manuel Pinheiro
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21:22
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Garbage In , Garbage Out
(Wikipedia)
Maringá, Paraná:

Amazónia:
Parece que são 4,000 km de distância. E onde alegadamente existiriam 200 militantes com capacidade para votar existem apenas 22, inseridos numa comunidade que tem, só nesse estado, 50,000 portugueses.
Total do número de militantes residentes fora de Portugal com capacidade para votar: 1,350.
Não obstante basearem-se em ficção, há graçolas sobre os índios militantes com muita qualidade por essa blogosfera fora.
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Manuel Pinheiro
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Estrela
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Gonçalo M Vassalo Moita
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Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007
Reforma Penal em julgamento (II)
Perante isto justifica-se tanta polémica?
Estaremos ameaçados na nossa segurança colectiva?
Acalmem-se os espíritos mais inquietos. Não corremos perigo apesar da libertação de mais de uma centena de presos preventivos. Mas esta reforma penal é uma desilusão por passar ao lado do principal problema: a lentidão do sistema judicial. Se o diabo está nos detalhes, no caso da Justiça está na morosidade do sistema, que continua sem resposta do poder político.Nota-se nesta reforma uma desconfiança perante o Ministério Público -cada um interprete como quiser- e perante as polícias. Vai haver ainda mais complexidade, para não dizer burocracia, nas investigações e no processo penal, o que gera mais morosidade. São de prever dificuldades sobretudo nos mega-processos. Uma justiça lenta nunca pode ser justa, nem para as vítimas, nem para os arguidos, mesmo que se presumam inocentes e por mais garantias processuais que se ponham na lei. Seria necessário aplicar um “simplex” aos tribunais portugueses.
Mais do que alterar os códigos -a atracção fatal de qualquer ministro é ficar com o nome associado a um grande reforma legislativa- a organização judiciária, incluindo o mapa judiciário, e o reforço dos meios de investigação criminal deviam ser a prioridade do Governo. É inadmissível, por exemplo, que continue a não existir partilha de informações, nem integração de sistemas informáticos, entre o Ministério Público, os órgãos de polícia criminal e os Tribunais. Esta situação conduziu ao problema de não se saber quantos presos existiam em prisão preventiva.
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Paulo Marcelo
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Crónicas do Planeta Oval (8)
"Um pouco mais de sol e eu era brasa/ um pouco mais de azul e eu era além": lembrei-me destes conhecidos versos do Mário de Sá Carneiro assim que terminou, há um par de horas, o nosso último jogo no Mundial de rugby.
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Pedro Picoito
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Terça-feira, 25 de Setembro de 2007
República, Monarquia e Ignocância

Vasco Pulido Valente disse anteontem, no Público, o que havia a dizer sobre o caso que tem agitado este blogue: "a Maçonaria conseguiu levar Aquilino Ribeiro para o Panteão". Se não foi a Maçonaria, foi a ala jacobina do regime - o que é quase o mesmo. Para o efeito, o debate dos méritos literários não tem particular transcendência. A questão é política. Aliás, o panteísmo aquiliniano não passa de um tiro de partida, se me permitem a metáfora, para as comemorações do centenário da República.
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Pedro Picoito
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Uma espécie de coerência
Quando Ahmadinejad garantiu que não havia homossexuais no Irão, a plateia local riu-se. No entanto, quando Ahmadinejad assegura que o programa nuclear iraniano não se destina a fins militares, a plateia global leva-o a sério. É possível –até provável– que entre os presentes no auditório predominasse um sentido de humor macabro. Alguns poderão até ter sido movidos pela mesma curiosidade que atraía multidões aos freak shows vitorianos, agora para ver o ‘monstro de Teerão’.
O presidente de Columbia manifestamente não achou graça nenhuma e disse a Ahmadinejad: ‘when you come to a place like this, this makes you quite simply ridiculous. You are bracingly provocative and astonishingly uneducated." Eu também não percebo a piada; menos ainda compreendo que nenhum daqueles estudantes tenha pedido a Ahmadinejad para explicar por que razão não existem homossexuais no Irão –ou opositores à teocracia islâmica. Como este género de questão parece ser difícil para os estudantes de Columbia, dou uma ajuda: as cerca de 250 execuções políticas no Irão –só desde Janeiro deste ano– registadas pela Boroumand Foundation e recordadas hoje por Anne Applebaum mostram que a teocracia iraniana adoptou uma bem conhecida solução para o problema colocado pelos indesejáveis políticos e sociais.
Afinal, a presença de Ahmadinejad em Columbia não é descabida e permite compreender melhor as acções e desejos de Coatsworth: Ahmadinejad foi o convidado possível de uma série de conferências que gostaria de ter realizado, começando com Hitler e continuando eventualmente com Stalin, Ho Chi Minh e outros criminosos políticos. Por isso, perguntar se Ahmadinejad devia ou não ter estado em Columbia é um problema de segunda ordem. O problema primordial é que indivíduos como Coatsworth não são hoje chamados pelos nomes que teriam –colaboracionistas, hipócritas– se há meio século atrás se lembrassem de convidar Hitler para fazer propaganda em anfiteatros académicos ocidentais, nem têm o 'prémio' que merecem pela proeza.Este perigoso equívoco taxinómico e político vai alimentando as ilusões de indivíduos possuídos por visões de cataclismos purificadores, que eliminem de uma vez homossexuais, judeus e todos os que não terão lugar no paraíso na Terra. Alguém devia ter explicado aos estudantes de Columbia que também eles constam da lista de indesejáveis de Ahmadinejad. Quanto a explicar a Coatsworth o que é que aconteceria aos seus pares em Teerão caso tivessem a peregrina ideia de convidar o presidente americano para um debate académico, não creio que valha a pena: o problema dele não é falta de informação; é falta de carácter.
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FCG
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13:02
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Pensamento do dia
Quando vejo a energia com que o PSD discute as quotas ou lá que é, quase acredito que, se quisesse, podia derrotar o PS nas próximas eleições.
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Pedro Picoito
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007
Crónicas do Planeta Oval (7)
Os jogos com a Nova Zelândia e a Itália fizeram mossa: Vasco Uva partiu o polegar e não vai jogar mais no Mundial.
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Pedro Picoito
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Processo Penal em julgamento
Convém recordar o largo consenso parlamentar da reforma e que algumas alterações já vinham do anterior governo PSD/CDS e estão previstas no Pacto de Justiça. Como explicar então a polémica que se gerou?
O sentido da reforma é o aumento das garantias de defesa: maior controlo judicial sobre as escutas telefónicas, redução dos interrogatórios para um máximo de quatro horas seguidas, direito de o arguido ser informado sobre os factos que lhe imputados, prisão preventiva ainda mais excepcional, com a redução de prazos e a aplicação exclusiva a crimes dolosos puníveis com prisão superior a 5 anos.É impossível dissociar certas mudanças cirúrgicas do processo Casa Pia ou da polémica “teoria do arguido”, sobre a qual já escrevi aqui. Sobre este ponto, a nova lei vem agora exigir que a constituição de arguido, dada a estigmatização social que implica, seja confirmada por um magistrado, o que é positivo.
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Paulo Marcelo
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Domingo, 23 de Setembro de 2007
As Dúvidas da História
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Miguel Morgado
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Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007
Absum
(...)
When Proximo, the manager of the group of gladiators of which Maximus is a part, encourages him to take more time, to show more artistry in his fighting, Maximus points out that he has killed, and that is all he is required to do. “That’s enough for the provinces,” Proximo replies, “but not enough for Rome.”
Nor, it seems, for Roman.»
(No FT)
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Manuel Pinheiro
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Crónicas do Planeta Oval (6)
Não vi a nossa batalha contra a Itália, que perdemos. Mas uma simples consulta às estatísticas é animadora: marcámos um ensaio (e já lá vão três sempre a facturar, óptimo sinal), aguentámos as fases estáticas e conseguimos manter o jogo muito equilibrado (19-5) até aos 71 minutos. Só nos dez minutos finais, aqueles dez minutos finais que nos jogos muito equilibrados decidem tudo, nos fomos abaixo. Dois ensaios foi o preço da falta de pernas. A vitória contra a Roménia, contudo, pode estar mais perto do que sonhamos.
Entretanto, numa dos primeiros recontros realmente decisivos do torneio, a Irlanda perdeu hoje com a França por 25-3. Depois da derrota com a Argentina, os gauleses tinham que vencer, ou seriam os únicos anfitriões na história do Mundial a não passar à fase seguinte. Uma vergonha maior pour la Republique do que os discursos de Madame Segolène. A claque celta, que no Cachimbo inclui o Fernando, este vosso criado e todas as outras pessoas bonitas e inteligentes que por aqui passam, tem razões para estar pesarosa. Tratemos de afogar as mágoas em Pogues e Guiness, por ora, que o jogo com os pumas até vai ferver.
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Pedro Picoito
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23:26
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Ceci n’est pas un état
Enquanto os dirigentes políticos europeus e americanos se entretêm a pressionar os sérvios para aceitarem a secessão do Kosovo como modesto preço a pagar para a sua integração na UE, há algo de podre no reino da Bélgica. Na verdade é o reino de Alberto II que está podre e o cheiro a sarilho político começa a ser difícil de disfarçar.Vai ser curioso observar de que forma os políticos europeus explicarão aos albaneses da Sérvia que sim senhor, a sua pretensão de secessão tem toda a legitimidade, ao mesmo tempo que explicam aos flamengos da Flandres que não senhor, a sua pretensão de secessão não tem nenhuma legitimidade. Isto, note-se, apesar da Flandres ter uma identidade histórica e cultural perfeitamente identificável ao longo da história europeia, enquanto que o Kosovo albanês só tem sentido na lógica da 'Grande Albânia', um produto ideológico típico dos nacionalismos anti-imperiais do séc. XIX.
Ainda mais interessante será assistir a esta explicação dada por Javier Solana, um espanhol —aliás, um castelhano— que certamente não ignora as implicações de uma secessão flamenga para a unidade nacional da Espanha. Bem pode Zapatero despachar Solana para Bruxelas, para tentar acalmar a rebelião flamenga: nem Zapatero é Filipe II, nem Solana dispõe dos ‘recursos estratégicos’ do Duque d’Alba. Os britânicos também estão numa situação curiosa, com um primeiro ministro escocês a assistir ao crescimento do movimento separatista na Escócia, já para não falar da pouco consolidada pacificação do Ulster. Os estados bálticos e os países da periferia da UE, em particular a Ucrânia e a Geórgia, com importantes comunidades russas residentes, também vão seguir a ‘questão belga’ com toda a atenção.
Os jornalistas perguntaram a Frank Vanhecke, um dos principais políticos pró-independência flamenga, o que aconteceria se a Bélgica deixasse de existir. A resposta foi: ‘who cares?’ Para além de valões, flamengos, (outros) holandeses, franceses, sérvios, albaneses, bascos, catalães, galegos, portugueses, irlandeses, ingleses, escoceses, georgianos, ucranianos, estonianos, lituanos, letões, finlandeses, restantes europeus em geral e, claro, americanos, a resposta é: assim de repente, ninguém.
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FCG
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Ingenuidades

Deus e Guerra Junqueiro (sem ironia, apreciáveis), mas onde não se encontram Carlos de Oliveira, Jorge de Sena ou Nemésio? E Eça, Camilo, Almada Negreiros, Rodrigues Miguéis?
contrário) que O Malhadinhas ou O Romance da Raposa fossem estudados no Secundário. A leitura de passagens do Aldeia, Terra, Gente e Bichos ajudaria a que, entre outras coisas, nos conhecessemos melhor.
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Carlos Botelho
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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007
Era uma vez
Preferia então ocupar-se a fechar instituições federais atrás de instituições federais, desde as de protecção ao terrorismo (HS) até às responsáveis pelas respostas a desastres e catástrofes (FEMA). A CIA e o FBI fechavam, a FAA, também. Nem a ajuda médica aos pobres escapava, e o Medicaid, afinal, finava.
Mas na longa lista do extermínio Ron Pauliano, há uma instituição citada que me despertou curiosidade: a NASA. O extermínio da NASA segue a lógica e não surpreende, mas eu cá desconfio que há alí mais qualquer coisa. Que saberão eles sobre Ron Paul?
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Manuel Pinheiro
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23:54
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Premier League
Hoje, chegou ao fim o reinado de Mourinho no Chelsea. O acontecimento será ainda muito comentado, em particular pelos adeptos do clube, que percebem que há pessoas difíceis de substituir. O que se passou em Inglaterra recordou-me um facto notável, de resto já várias vezes mencionado - o próprio Mourinho certa vez fez questão de assinalar o facto numa singela conferência de imprensa. Até há poucas horas, o berço do futebol tinha ao comando dos seus quatro grandes clubes homens de nacionalidades curiosas. Mandavam no futebol dois representantes de países que historicamente os ingleses sempre consideraram inferiores e trataram como colónias (Portugal - Mourinho; Escócia - Ferguson) e dois enviados dos inimigos ancestrais (Espanha - Benitez; França - Wenger). Presumo que haja muita gente que não se conforma com estas coincidências.
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Miguel Morgado
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Aquela Cena Bué Grande de Bué Longe
No meu último post, um anónimo insurge-se contra a "cegueira" que demonstro ao menosprezar a obra de Aquilino Ribeiro. Pois se até Salazar gostava dele...
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Pedro Picoito
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Uma palavrinha, por favor...
Nunca gostei muito de falar do meu dinheiro. Mas hoje vou fazê-lo.
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Gonçalo M Vassalo Moita
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2007
O debate das directas
Houve poucas novidades nos temas discutidos. Mendes falou de baixar os impostos e de reduzir o peso do Estado, defendeu que certas funções podem passar para a iniciativa social e privada, de apoio às PME e de rupturas na Educação. Quanto a Menezes, continuo a não descortinar o que propõe, limitando-se a contrariar as ideias do actual líder. As únicas excepções talvez sejam os círculos uninominais, de que falou ontem, e a ideia (perigosa!) de que os deputados devem ser escolhidos pelas bases do partido.
Menezes esteve mais à defesa e por vezes algo nervoso. Pareceu mal preparado em certos temas. Fiquei com a impressão – também subjectiva, reconheço – de um certo narcisismo, a fazer lembrar Santana Lopes: parecia que os temas eram sempre vistos de um ângulo pessoal.
Nenhum dos candidatos conseguiu surpreender. Mas Menezes perdeu uma oportunidade porque precisava mais deste debate. Mendes ganhou – embora sem entusiasmar – e está melhor colocado para ganhar as directas. A dúvida é se vai ter uma vitória clara. E se consegue ganhar no continente, ou seja, mesmo sem os votos das ilhas.
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Paulo Marcelo
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Pleonasmo de Santa Engrácia
Os elogios beatos a Aquilino são quase tão intragáveis como a obra de Aquilino.
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Pedro Picoito
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Terça-feira, 18 de Setembro de 2007
Crónicas do Planeta Oval (5)
Quando comecei a jogar rugby com a crédula idade de doze anos, os veteranos diziam-nos, muito sérios, para só festejarmos os ensaios dos pilares. Era um modo de exibir a diferença tribal e vitoriana que nos separava da malta do futebol - e dos seus apalpões celebratórios. Números 1 e 3 nas costas, quase sempre os mais lentos e pesados da equipa, os pilares passam metade do tempo dobrados e a outra metade a arrastar-se, invisíveis especialistas na arte ingrata de mergulhar de cabeça nas mêlées, levantar em braços as bestas dos saltadores e ganhar bolas à dentada para os três-quartos se divertirem. As suas hipóteses de brilhar são raras e as de marcar são raríssimas. Por isso os mais velhos nos diziam, perante um ou outro excesso de júbilo futebolístico, que só os ensaios dos patinhos feios valiam realmente a perda de compostura.
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Pedro Picoito
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23:26
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Coisas simples
Em assuntos internacionais, há um princípio simples: o poder militar não serve de nada se não houver a intenção de o utilizar. Por outras palavras: sem a disponibilidade credível para utilizar um instrumento de poder, ele deixa, em sentido próprio, de se constituir como componente de poder. Se a intenção de recurso à força militar necessita de ser efectivada; se o deve ser de forma preventiva ou apenas como ultima ratio, não anula o princípio –qualifica-o. Porque a necessidade, o momento e o modo de utilização do poder militar é uma questão estratégica, o princípio simples tem um corolário: em assuntos internacionais, juízos morais e estratégia têm uma interdependência complexa e não são separáveis. Sem essa complexidade, a geopolítica seria apenas uma lógica mecanicista.Bernard Kouchner é um homem inteligente, suficientemente inteligente para compreender isto e para desconfiar da inteligência de outros. Vai daí, declarou que a França não tenciona entrar no ringue com as mãos atadas atrás das costas e que, se for necessário, baterá com força para obter o resultado que pretende. O alvoroço galináceo que a declaração está a causar é irrelevante: a mensagem de Kouchner dirige-se àqueles que têm interesses estratégicos opostos —sobretudo aos russos e, em parte, aos alemães. Kouchner informou-os que postais presidenciais como o reproduzido acima pertencem ao passado e que não estão nas 'cartas persas'.
É uma declaração extremamente importante, do ponto de vista geopolítico. Agora é necessário, antes de mais, conferir credibilidade à declaração, para facilitar a resolução do problema iraniano sem ter de recorrer ao poder militar. Para isso é preciso que o Ministro dos Negócios Estrangeiros francês leve a sério as declarações do cidadão Kouchner. On verra.
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FCG
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Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007
Reconhecer a Diferença (3)
Ora bem, a força cultural exercida pelo ideal da autenticidade implica a afirmação da diferença, um ser-se verdadeiro para com a minha originalidade, algo que só eu posso articular, descobrir e expressar. Mas esta “descoberta de si” como componente incontornável da realização humana comporta necessariamente uma auto-compreensão que se estrutura através de uma linguagem mantida numa comunidade linguística, a descoberta de si implica uma abertura aos outros dentro daquele horizonte dialógico que permite a cada um compreender-se naquilo que é, que valoriza ou que deprecia.Mais, a liberdade de auto-deteminação e auto-criação, sob a forma de uma originalidade inaudita, não pode realizar-se sem uma abertura a horizontes de significado pré-existentes e independentes dos desejos, inclinações e escolhas do agente. Sem estes horizontes as escolhas originais perderiam os seus significados, a afirmação da diferença tornar-se-ia insignificante.
Reparemos. Onde poderá residir a diferença entre um homossexual que afirma a sua particular orientação sexual, de um emigrante que afirma o seu específico legado cultural, ou de um homem que se afirma como a única pessoa no mundo com um milhão de cabelos? Supomos que os dois primeiros casos poderão tentar justificar o valor daquilo que afirmam, e que o último nunca o conseguirá fazer. Ou seja, que o último caso está condenado a afirmar a diferença somente pela diferença sem nunca conseguir justificar o valor da sua originalidade, singularidade, especificidade.
Pelo contrário, o homossexual e o emigrante poderão fazê-lo, mas isso implica abertura a horizontes de significado e auto-definição em diálogo. Ora, é precisamente aqui que muitas vezes o activismo de minorias é apanhado em falso. Porque os horizontes de significado da sociedade em que habitam não lhes permitem valorizar a sua diferença, fecham-se à comunidade linguística envolvente. Ou seja, adoptam um ideal de realização humana que se traduz numa pura expressão singular de si em oposição às regras da sociedade e àquilo que é reconhecido como moralidade vigente. O problema é que em seguida pedem que a sociedade os reconheça naquilo que ela não é capaz de reconhecer. Ao menos, Nietzsche foi suficientemente inteligente para perceber que a sua «transvaloração» só poderia ser percebida por um homem que havia de vir. Resta-lhes gritar bem alto. Mas questão permanece, ninguém é capaz de os ouvir. Ou seja, assiste-se apenas ao desfile sazonal de um circo.
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Hugo Chelo
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Pathos, logos, ethos
O artigo de Pacheco Pereira sobre o "caso McCann" é das coisas mais interessantes que li até agora. Mas há algo de muito errado quando o adjectivo interessante aparece aqui. JPP compara o drama público dos McCann a uma tragédia grega, o que faz sentido: a mediatização tornou-se fatalmente uma encenação. Esclareço desde já, pois caminhamos à beira do abismo, que não estou a afirmar ou sequer a insinuar que alguém está a mentir - e quem está a mentir. Os pais, por boas razões, usaram ao máximo os media para procurar a criança e a PJ, por péssimas razões, usou e abusou das costumeiras fugas de informação para fazer o seu trabalho.
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Pedro Picoito
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17:58
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Ser Callas
Por isso, quando soube que tinha estreado ‘Os Fantasmas de Goya’ realizado por Forman, hesitei mas acabei por decidir ver. Para quem se interessa por pintura, há normalmente ‘um quadro de Goya que...’. O meu é um retrato da Duquesa d’Alba: coberta por uma mantilla negra, lenço vermelho à cintura, olhar altivo e dominador aponta para o chão em frente com um dedo fino e longo. No chão, uma inscrição: Solo Goya. Quem vir o quadro e não perceber a sugestão sensual contida neste retrato de uma mulher feia, paciência.A genialidade de Goya, prometia o pior e Forman cumpriu: desta vez consegue reduzir um pintor enorme e complexo a um trambolho inexpressivo, que assiste passivamente à tragicomédia humana. Para além de uma espécie de videoclip sobre a impressão de gravuras anticlericais, da vida de Goya e da relação entre a sua obra e o período em que viveu, nada –as guerras peninsulares servem apenas como cenário da tragicomédia, aqui e ali com pormenores burlescos. E no entanto, algumas das obras fulcrais de Goya têm uma relação directa e fundamental com os acontecimentos geopolíticos da época. Por exemplo, as mais violentas naturezas mortas pintadas por Goya, que tiveram enorme influência sobre Picasso, são do período de 1808-12. Quem tomar aquele pateta andante inventado por Forman pelo verdadeiro Goya, jamais desconfiará que este tinha um fascínio obsessivo pelo horror enquanto inspirador de medo e pela sua relação com o sublime (um tema na filosofia de Burke), que o levou em diversas ocasiões a pintar cenas de canibalismo, mitológicas e históricas. Solo Forman.
Ainda mal refeito do tratamento dado a Goya, na imprensa do fim de semana anuncia-se que ‘Penélope será Callas’. Será? Aparentemente a actriz espanhola prepara-se para representar o papel de Maria Callas, na adaptação cinematográfica de (mais uma) biografia. Mas o que é que a menina Penélope nos pode dar ‘sendo Callas’? A resposta não é imediatamente óbvia.
Callas, a soprano que a história guarda como La Divina nunca foi Maria. Foi a Tosca, perseguida e cobiçada por Scarpia; foi a Norma, desprezada por Pollione e literalmente consumida pelas chamas, foi a Lucia di Lammermuir, uma Julieta das Highlands destruída numa luta entre clãs; foi Oscar que ‘lo sa, ma nol dirà’ em Un Ballo in Maschera. Foi isto e muito mais: foi a Callas. Aos registos históricos existentes –áudio e televisivos– os inexistentes talentos vocais da menina Penélope não acrescentarão seja o que for. Na manifesta impossibilidade de Penélope ‘ser Callas’, será Maria. Ao ecrã chegarão as discussões de Maria com a mãezinha, a sua insatisfatória vida amorosa, o declínio vocal, a reclusão e o desfecho final. Em suma, tudo aquilo que destruiu a vida de Maria e que não interessa para a eternidade da Callas.
O interesse cinematográfico pela história de Maria servirá para acentuar a tendência para a devassa da intimidade como normalidade social. Há muito que a reclusão deixou de ser um exercício legítimo do direito à privacidade, para passar a ser um sintoma de algo ‘errado’, ‘anómalo’. A privacidade oculta a infelicidade; logo, a privacidade é uma barreira indesejável. Graças a esta ideia simples, a família deixou de ser encarada como a unidade ‘natural’ da sociedade e passou a ser, como garantia Foucault, um espaço de perpetuação de relações de poder e de opressão. Percebendo isto, percebe-se melhor o interesse estratégico do ‘caso McCann’.
A história de Maria servirá também para reforçar o processo de ‘dianização’ social em curso, substituindo o fundamento ético do discurso político por um discurso emocional, através do qual se impõe um novo ideal utópico de radicalismo democrático: a igual ‘felicidade’. Afinal, Maria não foi La Divina, uma aristocrata que se distinguiu pela excelência no canto lírico. Foi uma mulher infeliz –uma mulher do ‘povo’– vítima de uma sociedade incapaz de assegurar o direito à igual felicidade. Tal como Diana, morreu por nós, pobres infelizes, para que seja nosso o reino da Terra. As democracias republicanas sempre necessitaram de uma mulher bonita a mostrar o caminho para o futuro. Ora a Callas, tal como a duquesa d’Alba, era uma mulher atraente, mas feia: é para isso que existem las meninas Penélopes.
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FCG
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Domingo, 16 de Setembro de 2007
Sábado, 15 de Setembro de 2007
Dia de acção global porDarfur
Já falei aqui sobre Darfur, uma causa bem mais importante do que o milho transgénico.É agora tempo de acção.
Amanhã, domingo, 18 horas, Concentração em Lisboa, no Largo do Camões, para chamar a atenção dos governantes para o que está a acontecer no Darfur e pedir à presidência portuguesa da União Europeia que o tema seja incluído na agenda da Cimeira U.E. /África. Levar um lenço preto ou uma venda nos olhos.
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Paulo Marcelo
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Et in Arcadia ego
Marcámos um ensaio à Nova Zelândia.
Quero lá saber do resto...
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Pedro Picoito
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Portugal atento
Portugal continua a aprender ou, pelo menos, a não deixar esquecer o que é realmente importante nos momentos realmente importantes.Durante os próximos tempos, ninguém esquecerá que há sempre um indício de qualquer secreta emoção escondido no acto de coçar uma orelha, de olhar para cima, de enrugar a testa, de franzir o sobrolho...
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Gonçalo M Vassalo Moita
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Crónicas do Planeta Oval (4)
Mas nem sempre a técnica fica a ganhar com a troca. No lugar de médio de abertura, a substituição de Cardoso Pinto, melhor chutador e mais frio, por Gonçalo Malheiro, melhor placador e mais físico, é um bom exemplo do dilema. Malheiro defende melhor, Cardoso Pinto marca mais pontos.
A escolha de Morais revela o seu maior terror: a mobilidade da terceira linha all black. Mesmo sem Richie Mc Caw, que não joga contra nós como muitos dos habituais titulares, eis um dos pontos fortes (ou deverei dizer fortíssimos?) dos maoris.
Isto, claro, é a conversa oficial.
Aqui para nós, eu acho que o McCaw e os outros tiveram foi medo de jogar.
The bigger they are, the harder they fall...
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Pedro Picoito
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00:26
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007
Crónicas do Planeta Oval (3)
Mas o que eu gostaria mesmo é que fosse a África do Sul a triunfar. Não lhe faltam créditos. Esmagou hoje o campeão em título e o seu jogo contra Samoa foi brilhante. Poucos se podem gabar de meter oito ensaios aos duríssimos jogadores do Pacífico, e que ensaios. Todos dos três-quartos, quatro do ponta Bryan Habana (o senhor lá de cima), que promete vir a ser a coqueluche do torneio. Sou fã dos springboks desde que ganharam o Mundial de 95, depois de terem estado afastados das competições internacionais por causa do apartheid. O rugby sul-africano sempre foi um símbolo do poder afrikaner, um desporto de brancos. As coisas estão a mudar depressa, mas dos trinta convocados para França apenas seis são negros, uma proporção inversa à do resto da população. Quando o apartheid caiu, o país uniu-se em torno da organização do Mundial de 95, não sem antes assistir a uma azeda batalha pela troca do emblema do odioso passado - o springbok -, por uma flor do deserto do Kalahari, bela metáfora do novo regime democrático. A gazela e a flor acabaram por ficar lado a lado, até hoje, e a África do Sul sagrou-se campeã mundial na sua primeira participação, um feito que encheu de orgulho os sul-africanos de todas as cores. Mas o mais orgulhoso era o Presidente Mandela, que na final vestiu uma pouco protocolar camisola e entregou o troféu, nos preparos que vêem aí em cima, ao capitão Pienaar, o descendente dos boers que alguns dias antes visitara com toda a equipa a prisão de Mandela, o único emblema que ninguém queria na lapela.
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Pedro Picoito
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23:26
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Da série "Há muito que não escrevia um destes"
-Pai!
-Diz, filho.
-Como é que se chama esta senhora que está a cantar?
-June Tabor.
-Djiune Teibare? Que nome tão esquisito! Porque é que ela se chama assim?
-Ó filho, sei lá! Porque os pais dela escolheram assim. Tu também te chamas Pedro porque a mãe e eu escolhemos assim.
-Ah.
(Breve pausa.)
-Pai...
-Diz, filho...
-Os pais dela devem ser muito esquisitos...
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Pedro Picoito
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18:26
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Mais uma vez, o Totalitarismo
Dir-me-ão: a vontade de aplicar um modelo tão abstracto e racional, conduz à violação de todas as regras, inclusive as do próprio modelo. Bom, mas isso é o triunfo de uma vontade arbitrária e não o triunfo da virtude da sabedoria ou da razão sobre os apetites e sobre a vontade.
Penso que alguém se apressou no diagnóstico.
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Hugo Chelo
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12:02
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Boris

Iain Dale: What's the first thing you'll do if you get elected as Mayor of London?
Boris: I will ... rejoice...
(Entrevista aqui)
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Manuel Pinheiro
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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007
Civilizado, culto e inteligente
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Pedro Picoito
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15:36
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Parque de Diversões
«As pessoas comem aquilo que lhes dão»José Hermano Saraiva
Imagine:
Imagine um cenário em que alguém diz a um grupo de pessoas que, a partir de certo momento, é esse grupo quem mais ordena. A coisa soa bem. E o grupo mobiliza-se para ordenar.
Imagine também que esse grupo tem convicções:
- que acredita que a sua vontade é soberana e deve ser respeitada;
- que quer viver num Estado de Direito, com uma Justiça pronta e acessível e respeito pela Lei;
- que espera que lhe sejam criadas condições que o tornem apto a formar uma opinião objectiva - susceptível de bem ordenar.
Imagine agora:
- que um Governo eleito pelo grupo não cumpre as expectativas criadas durante a campanha eleitoral (lembra-se de algum caso?);
- que a Justiça é sinónimo de lentidão para muitos e privilégio de poucos. E que o respeito pela Lei é um conceito relativo (imagine: "respeito do Segredo de Justiça");
- que para o grupo o que hoje é verdade, amanhã é desconfiança ("o que eu sei sobre o caso Maddie Mc Cann"; ou "o que eu sei sobre o déficit orçamental" ou "o que eu sei sobre o aeroporto na Ota");
Um último exercício de imaginação:
Imagine que o grupo, que um dia se sentiu explorado, amordaçado, atrasado e isolado, acorda um dia e se sente ludibriado e instrumentalizado. Que se sente gozado.
Será que o grupo vai comer para sempre "aquilo que lhe dão"?
É possível. Caso contrário, restará então, aos divertidos, a esperança de que não seja possível matar-lhe a paciência.
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Gonçalo M Vassalo Moita
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02:42
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007
Crónicas do Planeta Oval (2)
A jogar em casa, e depois de ter ganho o Seis Nações este ano, a sua (justa) derrota com a Argentina é um pequeno escândalo nacional. O grande escândalo é não terem marcado um único ensaio para amostra. O rugby gaulês tem fama e proveito de ser o mais aberto do mundo e isso costuma dar ensaios. Muitos e bons. Só que, desta vez, rien de rien. Como dizia aquela personagem do Eça, c`est excessivement grave... A França está no "grupo da morte" e corre o risco de não passar sequer à fase seguinte, à conta dos pumas (dois jogos, duas vitórias) e de uma Irlanda que só não venceu o Seis Nações em Maio por uma unha negra.
Embora eu tenha um fraquinho pela Irlanda e um triunfo dos verdes fosse politicamente muito interessante (não há outro desporto em que o Eire e o Ulster integrem a mesma equipa nacional), entre os britânicos só a Inglaterra pode alimentar ilusões. E remotas. Tiveram grandes dificuldades contra os EUA (28-10) e estão em baixo: muita gente nova, muitas lesões, sobretudo a do abertura-estrela Johnny Wilkinson, derrotas recentes contra a França e a África do Sul e, para complicar as coisas, a suspensão do inexperiente capitão Phil Vickery por ter pontapeado um americano. Sirva-lhe de desculpa ter suposto, como todos nós, que o acto não fosse punível em solo francês.
De qualquer modo, o Francisco José Viegas tem boas razões para perguntar como é que estes "cavalheiros esbranquiçados" foram campeões em 2003. À cabeça de um dossier de cinco textos (o de Rod Liddle, delicioso, insurge-se contra o "sport for gay middle-class cavemen"...), a respeitável Spectator pergunta o mesmo: "Can we do it again?" E quase conclui que não. (Enfim, não se lhes pode pedir mais, são súbditos da Sua Majestade britânica.)
Mas o que separa 2003 de 2007 explica-se facilmente. Há muito que o jogo inglês assenta em duas coisas: um bloco de avançados com motor Rolls Royce e um médio de abertura com a precisão da hora de Greenwich. Nos anos 90 e seguintes, foi essa a chave do êxito: primeira linha de betão, a melhor segunda linha do mundo (Dooley e companhia, depois Martin Johnson e companhia), uma terceira linha capaz de recuperar a Aquitânia se a rainha pedisse - e a bota bigbénica de Rob Andrew/Grayson/Wilkinson/riscar o que não interessa. De vez em quando lá apareciam uns Underwoods e uns Guscotts, que pareciam ter-se enganado de país, mas a common law estava bem estabelecida. Mesmo em 2003, a final só foi ganha com um pontapé de ressalto do inevitável Wilkinson no último minuto.
Acontece que o inevitável Wilkinson está no estaleiro e os avançados de 2003 entregaram-se ao merecido descanso. O resultado é o contrário do costume: um pack jovem e pouco talentoso (à excepção do carismático Dallaglio, que regressa depois de longa ausência), um 10 que muda ao sabor das lesões e uma linha de veteraníssimos três-quartos. Chega para os cóbóis, não vai chegar para os grandes do hemisfério sul. Hão-de apanhar tantas dos boers, maoris e cangurus que desejarão nunca ter tido um império.
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Pedro Picoito
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23:36
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Tinha de ser filmado
Resposta de génio: «Isso quer dizer que um país onde as vacas são sagradas e a malta morre à fome é do melhor que há, não? Esse Gandhi era mas era um grande espertalhão.» E porque numa discussão de café ninguém fica calado: «não é isso pá, tu aí tens é de tratar os homens como animais.»
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Hugo Chelo
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17:08
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PSD (II)
Menezes defende que o líder deve estar à porta das fábricas, deve “ouvir a rua”. Agregar os descontentes com as reformas socialistas. É o caminho mais imediato, mas também o mais perigoso num partido que se assume como reformista e quer voltar ao poder.
A alternativa é mais difícil e com resultados apenas a longo prazo. É o caminho da credibilidade e da consistência. Implica um trabalho político interno sério, apostar nas pessoas certas, estudar e ouvir especialistas para definir políticas sectoriais consistentes. Ganhar primeiro o argumento, para depois conquistar o poder e saber o que fazer com ele.
Marques Mendes tem pela frente a difícil tarefa de unir os vários partidos dentro do PSD. Desde o partido "autárquico”, de que fala Pacheco Pereira, às correntes liberais ou conservadoras. Mais do que ideologia, o líder deve falar de ideias concretas: é isso que os eleitores querem ouvir. Para isso é necessário o "registo" certo e ser credível, o que demora o tempo.
Os partidos não são eternos. Apesar do seu passado, se o PSD não ultrapassar esta crise corre o risco de se tornar um partido decadente, sem capacidade para liderar o seu espaço político. Em política não existe vácuo: se o PSD não ocupar esse espaço outros o farão.
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Paulo Marcelo
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13:56
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Terça-feira, 11 de Setembro de 2007
O milagre da multiplicação dos museus (2)
Afinal, a extensão lisboeta do Museu Hermitage, que foi objecto da minha inquietude há uns tempos, é para avançar - diz o Público. Um pequeno núcleo primeiro, na Galeria D. Luís do Palácio da Ajuda, e o resto depois. Com a estratégia faseada, o Instituto dos Museus quer testar, ao que parece, a reacção do público português.
Publicada por
Pedro Picoito
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19:10
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