Terça-feira, 31 de Julho de 2007
A Repartição do Iraque
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Miguel Morgado
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Segunda-feira, 30 de Julho de 2007
O Bisavô do Movimento Anti-Globalização
Os "Ludditas", como eram conhecidos no início do século XIX aqueles que abominavam as máquinas, a produção em série, a destruição das corporações de artesãos, a concorrência externa, também cantavam "palavras de ordem", ou melhor, uma canção de guerra. Intitulava-se "General Ludd's Triumph" e cantava-se assim:The guilty may fear, but no vengeance he aims
At the honest man's life or Estate
His wrath is entirely confined to wide frames
And to those that old prices abate.
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Miguel Morgado
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E o PM estará de novo ausente?
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Filipe Anacoreta
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Domingo, 29 de Julho de 2007
Conflito de (in)competências
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Filipe Anacoreta
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Atlântico nas bancas
Mais uma Atlântico fresquinha, desta vez com uma novidade: uma recensão do nosso Miguel Morgado. Pois, o mesmo que assina o penúltimo post.
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Pedro Picoito
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Tristes de nós
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Pedro Picoito
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Sábado, 28 de Julho de 2007
A Liberalização do PS e as "Clarificações Ideológicas"
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Miguel Morgado
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Sexta-feira, 27 de Julho de 2007
"A TV Contest Sets Off a Furor Over Portugal’s Ex-Dictator" in The New York Times
Published: July 25, 2007
( Fotografia de Carlos Ribeiro)
SANTA COMBA DÃO, Portugal — When Portuguese television viewers recently voted the former dictator António de Oliveira Salazar “the greatest Portuguese who ever lived” — passing over the most celebrated kings, poets and explorers in the nation’s thousand-year history — the broadcaster RTP braced itself for a strong reaction. But what ensued resembled a national identity crisis.
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mafalda avelar
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La mala educación (2)
O meu post sobre a educação para a cidadania em Espanha levantou algumas questões interessantes na caixa de comentários. Vou tentar responder-lhes, agrupando-as em três grupos.
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Pedro Picoito
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Never trust a commie
A escala alegadamente nociva que o sindicalista refere tem, curiosamente, o efeito exactamente contrário. Dentro do conceito de liberdade de informação numa sociedade existe certamente a questão do "acesso" à informação. A possibilidade de desdobramento de conteúdos possibilita a criação de mais e mais plataformas, que possibilitam mais e mais "acesso" e, nos conteúdos pagos, possibilita a baixa dos preços suportados pelo consumidor.
Mas mesmo no mundo hipotético do empresário que, com varinha de condão, tem sempre lucro, mercado e grandes margens, e em que todas as plataformas são viáveis mesmo com multiplicação de estruturas, a escala alegadamente maléfica continua a ter precisamente o efeito contrário do sugerido pelo sindicalista. Um player com grandes margens num mercado significa, genericamente, uma de duas coisas: ou é um monopólio ou está aberta a passadeira de veludo para a entrada de concorrentes. E é precisamente nesta última hipótese que esses países malandros da coisa do capitalismo se baseiam para o mercado dos media e da informação. Mais players significa maior quantidade e diversidade de informação. É este pluralismo, e não um Pravda gigante em várias plataformas com milhares de jornalistas, que garante maior e melhor oferta informativa, e que garante maior facilidade de "acesso" ao consumidor quer por criação de mais plataformas quer pelo custo do "acesso" a elas.
E mesmo nas continhas do emprego, as coisas não funcionam, para variar, da forma que o sindicalista as coloca. Genericamente, produtividade e emprego crescem no mesmo sentido. Curiosamente, uma das razões possíveis é a questão do custo do "acesso": o aumento da produtividade possibilita a baixa de preços, que por sua vez permite aumentar o mercado potencial e o lucro final, não existindo perda, antes pelo contrário, de postos de trabalho.
Há um trabalho muito bom no sector industrial, em que o Nordhaus (o tal que escreveu o livro com o Samuelson) "shows that more rapid productivity growth leads to higher rather than lower employment". Existem muitíssimos trabalhos medindo a totalidadade da economia, e não apenas sectores, e embora com algumas nuances e pistas a desenvolver, a tendência é a mesma: maior produtividade, maior e melhor emprego. Se alguém vir o sindicalista, por favor lance-lhe um destes à tola.
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Manuel Pinheiro
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Águia Vitória transfere-se para o Arsenal
O desfecho há muito pressentido tornou-se realidade: a águia Vitória deixará de actuar para o Benfica e irá representar o Arsenal durante as próximas cinco épocas. Os dirigentes do histórico clube londrino já haviam manifestado o desejo de ver a águia Vitória a actuar no Emirates Stadium em diversas ocasiões. O acordo foi finalmente obtido durante a madrugada, numa estalagem nos arredores de Lisboa.Na próxima época, em vez do voo a que habituou os adeptos benfiquistas, a águia Vitória será disparada de um canhão dourado semelhante ao do símbolo do Arsenal. O canhão será colocado no exterior do estádio. Após o lançamento, a águia Vitória ganhará altura e descerá em voo picado para o centro do relvado, onde receberá a sua recompensa. O contrato representa uma melhoria substancial relativamente às condições actuais: embora os valores exactos não tenham sido divulgados, os responsáveis londrinos já admitiram que Vitória passará a receber qualquer coisa próxima dos 40kg de rosbife por semana, mais bife menos bife. No Benfica, recorde-se, Vitória recebia menos de 20kg de fêveras de porco por semana.
Luís Filipe Vieira não quis comentar a saída do símbolo encarnado, mas adiantou que ‘o mais importante foi não ter faltado com a palavra dada ao bicho’. Acrescentou ainda estar de consciência tranquila e garantiu que ‘há um animal que neste momento viaja para Lisboa, para substituir a águia’. Recusou-se no entanto a revelar a espécie ou raça: ‘terminada a quarentena, apresentaremos o animal’. Corre o rumor que o clube da Luz terá contratado uma jovem lama peruana, que cospe com precisão e insolência a considerável distância. ‘Um bicho desses poderia ser usado num espectáculo inovador antes dos jogos, utilizando os símbolos dos clubes adversários como alvos’, adiantou um outro dirigente benfiquista, sem no entanto confirmar a contratação.Simão Sabrosa já desejou boa sorte à águia Vitória: ‘somos todos profissionais e queremos melhorar as nossas vidas. Eu fui para Madrid para comer mais churros ao pequeno-almoço; compreendo perfeitamente o desejo de Vitória em experimentar o excelente e competitivo rosbife inglês’.
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FCG
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Estatuto do Jornalista: o que está em causa (III)
3. Direitos de Autor. O tema é fácil de explicar: O Sindicato dos Jornalistas, e em especial o seu presidente, o temível Alfredo Maia (na foto), tem lutado incansavelmente para que os jornalistas recebam, para além do seu salário, direitos de autor, quando as suas peças são usadas noutros suportes que não aqueles para os quais foram contratados. Por exemplo, um jornalista escreve no jornal DN. Se a peça for para o site do DN têm que ser pagos direitos de autor. Se passar na TSF idem.Há quem diga que esta é uma luta de vida ou morte para o Presidente do Sindicato: com os níveis de sindicalização a diminuirem para valores irrelevantes, a gestão de direitos poderia ser uma forma de voltar a ganhar protagonismo entre os jornalistas, especialmente os mais jovens, que não se identificam com o discurso - nem com o estilo - deste sindicato.
Apesar de considerar totalmente ultrapassada a posição do Presidente Maia, achei interessante um dos argumentos por ele utilizado: quanto mais longe for esta estratégia de rentabilização dos grupos menos jornalistas existirão; menos jornalistas significa menos pluralismo e diversidade de opiniões, tornando um dos pilares da democracia - o da liberdade de informar - mais frágil.
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Francisco A. van Zeller
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Quinta-feira, 26 de Julho de 2007
La mala educación
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Pedro Picoito
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Estatuto do Jornalista: o que está em causa (II)
2. Sanções para os jornalistas: aqui o tema pia mais fino. O novo Estatuto contempla um conjunto de normas, baseados no já existente código deontológico dos jornalistas (que não tem sanções previstas). São atribuídos poderes à "Comissão da Carteira" (constituída por jornalistas) para fiscalizar a profissão. No limite, um jornalista pode ser suspenso (pensou-se em multas, imaginem o que seria).O problema é que nem os tribunais funcionam (ou demoram 10 anos a decidir), nem os códigos são muito respeitados. O histórico de 30 anos em "liberdade" é profícuo na destruição de bom nome de pessoas, empresas, ministros, governos etc.
Evitando uma vez mais cair na tentação reaccionária de considerar todos os jornalistas uns irresponsáveis e delinquentes, não deixa de ser necessário "incentivar" a classe a ter mais respeito por alguns direitos e liberdades dos cidadãos.
Pessoalmente sou defensor da auto-regulação (definição de regras sem a intervenção do Estado) mas até agora esta modalidade tem-se revelado ineficaz e, de facto, enquanto a performance dos tribunais não melhorar é necessário algo mais.
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Francisco A. van Zeller
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Presunções
Mais: faltariam ser ouvidas ainda, segundo o repórter, centenas de testemunhas, sendo certo que do vastíssimo número das que já foram ouvidas muitas dificilmente saberiam explicar - sequer - porque é que ali estavam.
À luz da lei, até decisão em contrário, todos são considerados inocentes.
À luz de outros olhares, há comportamentos que, até prova em contrário, devem ser considerados altíssimamente suspeitos. No mínimo!
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Gonçalo M Vassalo Moita
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Crónicas do Planeta Oval (13)
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Pedro Picoito
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Etiquetas: uipas
Eduardo Prado Coelho (1944-2007)
Foi comunista em 75, esteve perto do Bloco, integrou as listas do PS para a Câmara Municipal de Lisboa com Carrilho.
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Pedro Picoito
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Da série "Posta Restante"
"Since he became leader in December 2005, Mr. Cameron has been set on a progamme of detaching himself from reality. He finds the traditional beliefs, and the traditional believers, of his party utterly detestable. (...)What should concern all conservatives is that the rhetoric being used now, and used ever since Mr. Cameron chose to declare his unwinnable war on his party, makes a repositioning of himself and the Tories almost impossible."Simon Heffer, "Cameron used to lead a party, but now he just leads a faction", in The Daily Telegraph, 25/7/2007.
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Pedro Picoito
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Estatuto do Jornalista: o que está em causa
Anda para aí uma suposta celeuma que envolve jornalistas e empresas de media por causa do novo "Estatuto do Jornalista" (já aprovado em AR, aguardando promulgação do Presidente). Não sendo este o melhor tema para quem está ou vai de férias, pode ser interessante deixar uma perspectiva sobre o que está em causa.O actual Governo propôs alterações profundas no Estatuto, e depois de muita discussão entre os interesses envolvidos, chegámos a três pontos críticos que apresentarei ao longo do dia (em 3 posts).
1. Sigilo Profissional: um dos pilares do jornalismo são as suas fontes e o direito (e obrigação) dos jornalistas as protegerem e assegurarem o seu anonimato, se for necessário. A proposta que foi aprovada propõe clarificar as excepções em que se pode quebrar o sigilo profissional: existência de informações para investigação de crimes graves contra pessoas ou segurança do Estado, caso não se consiga obter as mesmas de outra forma.
Este ponto é talvez aquele que apresente maior unanimidade entre jornalistas e o Sindicato dos Jornalistas (que são hoje em dia coisas diferentes). Ambos têm bradado aos céus, referindo os riscos de condicionar para sempre a sua actividade (sobretudo o "jornalismo de investigação").
De facto, muita gente entusiasma-se com a visão de uma qualquer autoridade a apertar o gasganete a um jornalista portador de um dado considerado relevante (desembucha estafermo!). É a tentação do caminho mais curto. É preciso, porém, vislumbrar as consequências no longo prazo: basta isto acontecer em um ou dois casos mediáticos para que no futuro as pessoas tenham receio de falar com jornalistas, sobre os mais variados assuntos. E quantos "casos" relevantes, em Portugal e no mundo, não vieram à baila a partir do trabalho de investigação baseado em fontes anónimas?
Nota: credibilidade das fontes e elaboração de notícias a partir das mesmas tem a ver com qualidade do jornalismo, o que é outra conversa.
(continua)
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Francisco A. van Zeller
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Quarta-feira, 25 de Julho de 2007
O embaraço da escolha
E ainda sobre a notícia supra, gostava de saber qual de tais "gestos de desobediência civil" não terá a simpatia de Miguel Portas.
Invasão da Zara? É uma multinacional, no problem.
Cocktails molotov para cima do Cervantes? Outra multinacional ao serviço da globalização: porrada neles.
Confusão à porta das embaixadas de Espanha e Israel? São Estados imperialistas, portanto...
Partir a sede da PIDE? Ça va sans dire.
Ai, são todas causas tão belas...
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Pedro Picoito
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O saloio epistemológico
Esse [encerramento de "unidades de saúde"] é um exemplo de como a percepção nem sempre corresponde à realidade. Você, José Gomes Ferreira, que lê livros e estuda, sabe que há uma diferença entre a aparência e a realidade.José Sócrates, há pouco, entrevistado na Sic por Ricardo Costa e José Gomes Ferreira.
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Carlos Botelho
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A grande bebedeira
A pergunta surge instintivamente. Serão as cheias catastróficas na Inglaterra consequência das alterações climáticas provocadas pelo nosso consumo despreocupado de combustíveis fósseis? Estarão os gases de estufa directamente implicados no fenómeno?
Os especialistas são unânimes: é impossível imputar directamente às actividades humanas um evento extremo, mas isolado, como este. Pode tratar-se de um "soluço" desse sistema complexo que é o clima, já de si sensível a inúmeras variáveis naturais. Mas, a julgar pelas conclusões de um estudo que vai ser publicado amanhã na revista Nature, uma coisa é certa: somos os grandes culpados pela tendência generalizada para o aumento dos eventos extremos deste tipo.
Atente-se nas palavras. A pergunta, confessa, é “instintiva”. Pelo contrário, a resposta dos especialistas em climatologia é baseada em conhecimento técnico. Infelizmente é também unânime: é impossível estabelecer qualquer relação entre as cheias inglesas e as "alterações climáticas". Uma declaração unânime de impossibilidade não desarma nem desmotiva uma crente do ecologismo global (nota #1: unânime significa que ninguém com conhecimento científico específico nesta matéria defende outra teoria; nota #2: impossível significa que a probabilidade das cheias britânicas serem o resultado das ditas alterações climáticas é zero).O “mas” é a chave do texto e denuncia a teimosia de um bêbado. Não adianta contrariá-lo educadamente: insistirá sempre. Sem um mínimo de racionalidade é incapaz de compreender e aceitar as convenções fundamentais –por exemplo a convenção que estabelece o significado de palavras como “unânime”, ou “impossível”. Uma impossibilidade unanimemente declarada não tem o menor efeito sobre a crença ecologista: elucidativamente, para a jornalista a única coisa que é “certa” é que somos “grandes culpados” e os resultados de simulações são declarados como "provas" da nossa grande culpa.
A histeria ambiental em que vivemos é uma bebedeira de irracionalismo, assente numa visão radicalmente hostil ao homem e à civilização, que toma a sociedade humana como uma construção intrinsecamente perversa e, acima de tudo, decadente. A visão de um mundo corrompido pelo homem e o desejo implícito de retrocesso até um estado prístino de pureza é uma perigosa utopia e tem raízes filosóficas que me dispenso de mencionar (não adianta procurar entre os “inimigos da liberdade”: as origens desta crença utópica são bem mais antigas).
Esta visão ideológica é partilhada por um número significativo de pessoas envolvidas no “ensino” público, fazendo dos alunos alvos e instrumentos de propaganda. As crianças saem das escolas portuguesas demonstrando uma incompetência extrema no raciocínio abstracto, na resolução de problemas e no domínio e uso da língua. Em contrapartida, debitam precocemente e com grande vigor um chorrilho de asneiras sobre o desenvolvimento “sustentável” e as “desigualdades da globalização”, embora revelem uma estranha tendência para as confundirem com pobreza. Serão as escolas públicas uma espécie de madrasahs do fundamentalismo ecológico? A pergunta surgiu-me instintivamente.
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FCG
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Terça-feira, 24 de Julho de 2007
Laranjas sem sumo
O que mais impressiona na candidatura de Luís F. Menezes à liderança do PSD é a falta de ideia políticas. Assisti ontem à sua declaração, tentando encontrar uma divergência de fundo com o actual líder, uma critica substancial à estratégia política do partido. Em vão. Menezes diz apenas que é “candidato para dar uma nova esperança aos militantes” e que “quer ganhar o partido para ganhar, depois, o país dos desempregados e dos funcionários públicos perseguidos". Não diz nada. Ou talvez diga tudo. O blog pessoal de Menezes é pobre, demasiado pobre. Apenas por lá encontrei um texto Social, não socialismo que indicia uma estratégia de oposição à esquerda do governo PS.Mas o problema não está só em Menezes, é generalizado. O último Conselho Nacional do PSD em vez de analisar politicamente a hecatombe eleitoral em Lisboa, entreteve-se a discutir questões secundárias, como alterações aos estatutos ou os prazos para pagar quotas. Sempre as questões formais quando faltam as ideias. Táctica, muita táctica, pouca substância. Mais parecia uma RGA ou uma reunião de "jotas" a discutir lugares.
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Paulo Marcelo
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Menina e Troça
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Filipe Anacoreta
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2007
20 de Julho democrático?
Mas muitas destas pessoas só acordaram para o horror daquilo quando a maré da guerra começou a virar. Uns apercebiam-se ou receavam que aquele regime apenas conduziria à destruição da Alemanha (de resto, tinham já sido esses os lamentos de Ludendorff no fim da vida). Outros sentiam autêntica repugnância pelo desvario assassino daquele Poder, dentro e fora do país, antes e durante a guerra. Mas não devemos ver em todos esses opositores democratas que recusavam aspectos do regime para nós insuportáveis. Muitos deles ficavam horrorizados com os crimes cometidos contra Franceses, Holandeses, Nórdicos ou Bálticos, mas já olhavam, no mínimo, com condescendência e “compreensão” para as barbaridades feitas a Polacos ou Russos. Para não falar de quando eram feitas a Comunistas. Às vezes esquecemo-nos que o Nacional-Socialismo não caíu repentinamente do céu e não se desenvolveu num sítio qualquer com gente qualquer. Aquelas práticas não deixaram de encontrar terreno propício em muitos que não eram propriamente nazis.
Muitos não deixavam de sentir uma certa admiração pelo Führer, porque ele, no fim de contas, era a melhor garantia de que a Alemanha (dos Junker, dos industriais e da classe média) não iria soçobrar numa maré bolchevique. Lembremo-nos que a Revolução Russa e a atroz guerra civil entre Brancos e Vermelhos tinha acontecido não há muitos anos. E que a Rússia vermelha estava ali, imensa, já a seguir à Polónia. E que, em 1919, se tinha tentado uma Revolução bolchevista na própria Alemanha. E que, uma coisa que nunca se diz, também os Comunistas, tal como os Castanhos, tinham uma força de choque, a Rote Front (Frente Vermelha), que não era de todo mais meiga do que a SA...
Por outro lado, muitos dos militares que a partir de 42 conspiravam contra o regime, tinham antes sentido o orgulho prussiano satisfeito pelas sucessivas vitórias alemãs: desforras de 1918. E orgulhavam-se também com a civilizadora expansão da Kultur alemã para leste, à maneira predilecta prussiana: com a bota e a coronha da Mauser. Mesmo que, na mochila, se levassem hinos de Hölderlin e se suspirasse pelas tílias nos intervalos entre o massacre de uma aldeia russa e o abate em massa de Judeus.
No entanto, o preconceito da nobreza militar manteve-se sempre. Não admira. Quem eram os “quadros”, o núcleo duro, os “velhos camaradas” do Partido Nacional-Socialista? Desenraízados, rufias, brigões, homossexuais, tipos sem eira nem beira, filhos naturais, vadios. (Não foi o próprio Hitler um exaltado vadio das ruas de Viena?) Eram, numa palavra, marginais. E havia também alguns “idealistas”, é verdade - talvez por isso mesmo, mais perigosos do que os outros. Nunca me esqueci duma sequência do Triunfo da Vontade em que se sucedem grandes planos dos dirigentes do Partido: fica-se espantado com os facies de gangster daquela gente (excepção do Rosenberg, o “filósofo” da ideologia). Era, realmente, um partido lumpen.
Curiosamente, havia também um preconceito “social” dentro do próprio “movimento”: os belos “rapazes” da SS mostravam quase desde o começo um perfilado desprezo pelos “barrigudos” da SA. Levaram a cabo com eficência (e alívio) a limpeza (aspas são escusadas) da Noite das Facas Longas. O que, precisamente, serviu para que Hitler se livrasse de elementos “radicais” incómodos e, assim, se aproximasse do exército. Mas o próprio Führer desprezava os “cavalheiros” (como ele dizia com desdém) e os oficiais de carreira. A partir do 20 de Julho, o verniz estalou completamente.
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Carlos Botelho
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Domingo, 22 de Julho de 2007
Os Liberais e as Políticas de Incentivo à Natalidade
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Miguel Morgado
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Sábado, 21 de Julho de 2007
A Crise (dos comentadores) da Direita
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Miguel Morgado
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Sexta-feira, 20 de Julho de 2007
4.º acto – Sem soluções, mas apontando um caminho
O Partido não tem futuro sob a liderança de Paulo Portas, todos o sabemos. Mas a sua saída não tem que ser já. Pode ser no espaço de seis meses ou um ano. Nós não temos a responsabilidade e, portanto, a pressa do maior Partido da Oposição.
A saída de quem viveu e deu vida no Partido durante tantos anos, tem de ser difícil e não pode acontecer sem crise.
Faça-se, porém, deste momento de crise uma oportunidade. Não se apresse a carruagem.
O facto de não termos pressa, de podermos pensar a um ano permite-nos olhar para este tempo, como um tempo de convocação. Chamar todos, o maior número possível.
Penso, por exemplo, numa espécie de Convenção alargada, não encomendada, nem com a rigidez habitual dos Congressos. Que seja preparada com tempo e que chame muitos: os que já estiveram, os que estão e aqueles que estão à porta. Sem medos. Sem saber aonde nos levará e sem resultados antecipados.
Este seria um desígnio que falta cumprir a Paulo Portas e que creio que deseja sinceramente – o da tentativa de regeneração efectiva do Partido, da Direita e do País. Poderia tornar-se num legado importante se fosse feito de modo empenhado, desinteressado e abrangente. Onde seria convocador – e eventualmente árbitro - e não actor e muitos menos único. Adriano Moreira, Ribeiro e Castro e outros deveriam ter um papel importante também.
Sei que não é claro. Mas é um caminho. E se não for agora não será. Por isso, o digo: Esta é a Hora!
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Filipe Anacoreta
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Verloc 2.0
Adolf Verloc é o famoso personagem da novela “O Agente Secreto” de Joseph Conrad, publicada em 1907. Pornógrafo e agent provocateur ao serviço dos russos, Verloc recebe a incumbência de fazer explodir o Observatório de Greenwich. A novela baseia-se numa tentativa real ocorrida em 1894, que resultou na morte acidental do autor, Martial Bourdin, e do seu cunhado anarquista. A intenção de explodir um relógio não é absurda: os relógios são um símbolo histórico de ordem e de poder. Durante as guerras religiosas do séc. XVI, Carlos V ordenava a retirada da torre do relógio às cidades rebeldes, como forma de punição. Em França, as disputas pelo controlo do relógio opunham protestantes e católicos. Desde 1884 que Greenwich era o ponto de referência para a medição do tempo: dinamitar o relógio visava provocar o caos. Três décadas mais tarde, na adaptação cinematográfica da novela de Conrad, Hitchcock revela um misto de presciência e sentido utilitarista: a bomba explode num autocarro londrino.Um século depois, a sabotagem bombista regressou à ordem do dia. É uma lógica comportamental facilmente reproduzível por jihadistas, guerrilheiros revolucionários, traficantes de droga, ou facções de regimes neo-tribais. Os novos alvos de sabotagem já não são meros símbolos de poder: são infra-estruturas económicas vitais, designadamente para o transporte de energia. É Verloc 2.0, em versão real e perigosa.
Verloc 2.0 é um sabotador eficiente na destruição que causa: no México, um grupo de guerrilheiros de esquerda efectuou uma série de ataques no dia 10 de Julho a um pipeline de gás natural da Pemex, o monopólio estatal de petróleo e gás, que assegura 40% das receitas fiscais mexicanas. O abastecimento de gás esteve cortado por quatro dias, obrigando grandes empresas a suspenderem a produção: os prejuízos económicos da sabotagem foram estimados em 6,4 milhões de dólares.
Mao Tsé Tung comparava os guerrilheiros a peixes que nadavam no mar da população; sem o mar morreriam. Verloc 2.0, pelo contrário, é indiferente ao apoio da população: no Iraque a sabotagem de infra-estruturas de transporte de energia é parte da guerra civil, causando cortes nos abastecimentos de electricidade e de combustível e tornando a vida dos iraquianos ainda mais difícil. Os cortes são frequentes e prolongados: algumas zonas de Bagdad chegam a estar sem electricidade por períodos de vinte dias e o abastecimento médio de energia na capital iraquiana caiu para 5,6 horas/dia no mês de Maio.
No delta do rio Níger os trabalhadores das empresas petrolíferas que aí operam são conhecidos como “ouro branco”, pelas receitas dos resgates pagos. Só neste ano já foram raptados mais de 150 trabalhadores. Em consequência dos ataques e dos raptos, a produção petrolífera da Nigéria –o maior produtor petrolífero africano e o 8º maior mundial– sofreu uma quebra de 20%, cerca de 500000 barris de petróleo a menos, por dia. Verloc 2.0 causa instabilidade geopolítica ao nível global: o prémio de risco incorporado no preço do barril de petróleo situar-se-á entre os 10 e os 20 dólares e é um factor importante na persistência de preços acima dos 70 dólares.
Verloc 2.0 não afecta apenas as infra-estruturas já existentes: ameaça mesmo as que ainda não existem. Um exemplo é o pipeline IPI (Irão-Paquistão-Índia) que deveria estar operacional em 2011 e que tornaria a importação de gás natural iraniano quatro vezes mais barata para a Índia do que qualquer alternativa de transporte. Apesar das divergências negociais entre iranianos e indianos sobre o “preço político” do gás e da oposição norte-americana ao projecto, a principal razão para o atraso na construção do pipeline é o elevado risco de sabotagem: quase 30% da extensão total do pipeline atravessará o sul do Paquistão, através do Baloquistão, uma província com um longo historial de guerrilha político-religiosa. A tomada da mesquita de Lal Masjid pelo exército de Musharraf foi necessária, mas a reacção da aliança entre jihadistas e líderes tribais não se limitará às províncias do noroeste e pode lançar o Paquistão num caos violento, tornando proibitivo o elevado risco geopolítico.
Em “O Agente Secreto” Conrad não pretendeu caricaturar o anarquismo, mas criticar a complacência do progressismo liberal para com o terrorismo. Conrad sabia que para derrotar a violência de grupos organizados era necessário um esforço de persuasão intelectual para lhes retirar a legitimidade política. Eis algo que é necessário reaprender para lidar de forma efectiva com este problema: Verloc 2.0 é uma ideia e não se dispara contra ideias.
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FCG
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A propósito de nada: Democracia e Tecnologia
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Miguel Morgado
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Quinta-feira, 19 de Julho de 2007
O aborto dos partidos
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Pedro Picoito
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Da série "Posta restante"
Muito boa, a crónica de Helena Matos hoje, no Público.
Para quem gosta de ler as letras pequenas dos contratos. As nunca despeciendas letras pequenas.
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Pedro Picoito
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3.º acto – Do Pântano e do Depois
Mas, no presente caso, a sua permanência no Partido serviria efectivamente e apenas para a sua tortura e para o desaparecimento acentuado do CDS/PP. Cada vez mais o País se distanciará dele. Definhará e acabará isolado, acabando por ver os que no passado o adularam e hoje o servem, insurgirem-se contra ele. Não seria a primeira vez.
Em face do inevitável afastamento de Paulo Portas (que só depende dele próprio, uma vez que os seus “amigos” continuam a não ser capazes de ver a realidade), o CDS/PP tem duas evidentes alternativas: ou desaparece ou continua.
Se continuar como está, com os mesmos da derrocada, o CDS vai provavelmente desaparecer. Não será o fim do mundo. Alguns, como eu, terão pena. Pouco mais. O Partido como está hoje não faz falta a muita gente. E com as alterações para breve do sistema político, o veredicto já estará escrito.
Por isso, se quiser continuar, o Partido tem que ser qualquer coisa de diferente. Creio que um Partido diferente com a raiz do CDS faz falta a Portugal. Há espaço vazio, à espera de ser ocupado.
É este o apelo que retiro dos “sinais” que nos chegam (mobilização cívica diversa em matérias culturais, económicas, e sociais, abstenção e desgaste dos velhos protagonistas dos Partidos, cansaço do modelo social e do papel do Estado, ventos que nos chegam da Europa, etc, etc).. Todos vemos afirmada a necessidade de caminhar com mais confiança numa sociedade mais livre, menos protegida, mais destemida, mas também mais enraizada na sua cultura, na sua memória, no seu património.
O CDS identifica-se e está particularmente vocacionado para responder a estes apelos. Foi para isso que surgiu e pessoas como Adelino Amaro da Costa chamariam a “isto” um figo. Um desafio estimulante.
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Filipe Anacoreta
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Quarta-feira, 18 de Julho de 2007
2.º acto: Até à evidência
A liderança de Paulo Portas (PP) esgotou o seu tempo.
Uns defendem-no, outros atacam-no, mas já só quem é do Partido é que nele se detém. As restantes pessoas olham para o CDS de PP com indiferença ou, na melhor das hipóteses, com fastio. Poderá ser justo ou injusto, merecido ou imerecido. É uma conversa que, neste momento, não interessa.
O "Pórtismo" cai também porque não se emancipou. Demonstrou que vive de PP como um espelho vive do que tem diante de si. Telmo Correia, Nobre Guedes, Pires de Lima, António Carlos Monteiro e Teresa Caeiro estão entre os principais responsáveis pelo regresso de PP. Todos personificavam a sua aposta também num Partido "aberto" e disponível para causas que não são tradicionalmente as suas e que, nalguns casos pontuais, agridem o seu eleitorado tradicional.
O que os eleitores descontentes do PSD disseram de uma forma muito clara foi que preferem não votar, votar em branco ou num Independente Carmona do que votar neste CDS-PP. Muitos eleitores do CDS disseram o mesmo.
O ciclo acabou. De vez.
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Filipe Anacoreta
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1.º acto: A andorinha
Paulo Portas acabara de se legitimar com cerca de 80% dos votos em eleições directas. Comentadores davam conta do receio e da agitação no PSD por causa do regresso de Paulo Portas. Era o início de uma “Primavera”.
O PSD, de facto, nunca estivera tão dividido e perto da implosão.
Desde o 25 de Abril que o CDS crescia sempre que o PSD estava fraco. Nestas eleições de Lisboa em particular, o CDS estava, pois, posicionado como nunca para crescer: segurar o seu eleitorado (não havia o fantasma do “voto útil”) e conquistar insatisfeitos ao PSD. Era difícil imaginar melhor.
Os “pórtistas” estavam felizes: tinham ansiado por mediatismo e eis que ele estava de volta! Agora é que ia ser. Sócrates não teria descanso.
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Filipe Anacoreta
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E ao terceiro dia...
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Filipe Anacoreta
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Fêmeas e feminismo
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Paulo Marcelo
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Não é o 1000, mas é o maior...
Parabéns Camarada, Pai e Professor Morgado.
"Bem disse alguém, em relação a um amigo seu, que ele era a metade da sua alma..." (Conf. IV, 6,11)
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Hugo Chelo
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Achtung!
Rapaziada, não sei se repararam, mas o próximo post
é o número 1000!
Quem é que se chega à frente para um balanço celebratório?
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Pedro Picoito
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Parabéns, Blog
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Miguel Morgado
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Terça-feira, 17 de Julho de 2007
Escolhas
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Miguel Morgado
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Os Loucos Anos 80 (18)
Política à parte, jamais esqueceremos a luvinha de brilhantes do Michael Jackson, os gritos da Cindy Lauper e o final de Ray.
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Francisco A. van Zeller
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But what else Butt?
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Paulo Marcelo
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Apelo público
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Filipe Anacoreta
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Os Loucos Anos 80 (17)
Indiana Jones: uma paródia aos filmes de acção da época, repletos de Rambos e Exterminadores inexpressivos, que misturava cenários National Geographic, humor 007 e uma pitadinha de american dream (um gajo desenrascado chega sempre lá).
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Pedro Picoito
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(Ob) sessões duplas
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Pedro Picoito
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Da série "A concorrência faz melhor"
"Gosto das vitórias das esquerdas: o povo deixa de ser uma turba boçal, ignorante e alvo fácil da chantagem populista. Gosto mesmo."
Filipe Nunes Vicente (who else?), no Mar Salgado.
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Pedro Picoito
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Votos voláteis
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Paulo Marcelo
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Segunda-feira, 16 de Julho de 2007
Piromania Política
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Manuel Pinheiro
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Free Advice
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Manuel Pinheiro
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Sem desculpas
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Manuel Pinheiro
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Momento Goldwater
Pior era difícil.
Há, no entanto, um aspecto essencial a que não se tem dado a devida atenção (peço desculpa pela solenidade, mas os comentadores falam assim). Todos os partidos estavam cheios de projectos, propostas, receitas e soluções para a cidade, e os que não estavam foram criticados por isso. Como em urbanismo não há milagres e nem todos os candidatos a hodiernos Pombais têm a benesse de um terramoto, os ditos projectos revelaram-se, afinal, mais ou menos parecidos.
O que fez com que estas eleições não tenham sido um combate de ideias, mas uma luta de figuras.
A esquerda venceu porque tinha melhores figuras.
Em 2009, corremos o risco de a coisa se repetir.
E se a direita começasse já a preocupar-se mais com ideias de direita, em vez de refugiar-se nas banalidades do centrão?
Sarkozy mostrou que é possível ganhar eleições com uma mensagem polarizadora. Cameron, pelo contrário, está a ter enormes dificuldades em afirmar os tories como alternativa ao Labour precisamente porque está a construir um partido à imagem da terceira via: moderno, urbano, ecologista, fracturante, politicamente correcto. E atrás de Brown nas sondagens.
Isto já parece um provérbio alentejano à moda de Lisboa: querem ser de direita e ganhar eleições ou parecer-se com a esquerda e perdê-las?
Vá lá, não reflictam muito...
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Pedro Picoito
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Publicidade Institucional (em causa própria)
Não senhor. Por exemplo, o Departamento de História vai organizar, entre 3 e 12 de Setembro, um conjunto de conferências sobre "Grandes Temas da História de Portugal", aberto a todos, em que se pretende apresentar o estado da questão das novidades académicas relativas a oito temas do passado nacional.
Ei-los, com os respectivos conferencistas já designados:
1- A fundação da nacionalidade (Pedro Picoito - sim, sou mesmo eu);
2- A crise de 1383/85 (Leonor Silva Santos);
3- Génese e sentidos dos Descobrimentos;
4- O Império ultramarino;
5- D. Sebastião e Alcácer Quibir;
6- A Restauração (Pedro Cardim);
7- A implantação da República (Daniel Alves);
8- O Salazarismo/Estado Novo (Pedro Oliveira - sim, é mesmo o do Barnabé).
Como vêem, sou suspeito porque tenho a responsabilidade de conferenciar sobre o momento genético da pátria. (Uma responsabilidade tanto maior quanto não sei se podemos apontar um "momento genético", mas isso já é outra história.)
Apareçam, que os outros são melhores do que eu.
P.S. Aviso já que as inscrições são limitadas e a pagar, e nem sequer estou certo de que descontem para o IRS...
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Pedro Picoito
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Domingo, 15 de Julho de 2007
Direita de Lisboa a Pique
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Miguel Morgado
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A Campanha de Calvino
"De duas maneiras se chega a Despina: de navio ou de camelo. A cidade apresenta-se diferente a quem vem por terra e a quem vem por mar.
"Todas as cidades recebem a sua forma do deserto a que se opõem; e é assim que o condutor de camelos e o marinheiro vêem Despina, cidade de fronteira entre dois desertos."
-- Italo Calvino, As Cidades Invisíveis
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Miguel Morgado
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Lisbon Revisited
Outra vez te revejo,
Cidade da minha infância pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...
Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui tornei a voltar, e a voltar.
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligados por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?
Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.
Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...
Outra vez te revejo,
Sombra que passa através das sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...
Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim -
Um bocado de ti e de mim!...
(Lisbon Revisited, Álvaro de Campos, 1926)
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Paulo Marcelo
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Sábado, 14 de Julho de 2007
I Just Can't Get Enough
Extremist fundamentalist religion may well have a greater hold in the U.S. on the public than say in Iran, though I’ve never seen a poll in Iran. But I doubt 50 percent of the population thinks the world was created 6,000 years ago exactly the way it is now....
Is the West the United States — one of the most fundamentalist countries in the world and a strong supporter of extreme Islamic fundamentalism?
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Miguel Morgado
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19:38
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Tutoria
O pensamento pedagógico de Agostinho é um dos seus temas mais encantadores. Nas Confissões encontram-se múltiplas vias de condução e um leque vastíssimo de personagens que tipificam vários modelos, incluindo o modelo da tutoria.
Segundo esta perspectiva, a principal característica do modelo pedagógico do tutor é o silêncio. Atente-se à forma como a severidade e os castigos dos professores de Agostinho são apresentados: “é que ninguém, quando contrariado faz bem, embora seja bom aquilo que faz. E aqueles que me forçavam não faziam bem” (Conf. I, 12). Compare-se isto com a forma como Deus se comporta perante os erros de Agostinho: “afastava-me para longe de ti e tu deixavas. Arrojava-me, derramava-me, despedaçava-me, fervi-a nas minhas devassidões e tu, calado” (Conf., II, 2). A forma como este «Tu» conduz Agostinho dá-se através de uma presença distanciada, mas atenta.
Uma antiga professora minha realizou uma apreciável recolha de citações dispersas pelas Confissões e que se conjugam na apresentação de um extraordinário modelo pedagógico. Assim o mestre-tutor: vigia; à distância; permite o erro; insinua-se; desperta; apela e volta a apelar; fomenta o desejo de contemplação gozosa; permite aprender com as situações e com os erros; corrige sem ira ou com ira benevolente; com respeito; corrige perdoando sem ressentimento.
É isto. O mestre-tutor ensina, amando à distância. A presença excessiva traduz-se em autoridade controladora e determinante. A presença orientadora, nas palavras daquela professora, é uma presença “distanciada mas atenta e disponível (…) onde a consciência da ausência não é vivida como abandono ou indiferença. Uma presença que está aberta à rebeldia, ao erro, intervém na hora certa, ajudando a reconhecer o erro, a recuperar, em atitude generosa, graciosa.”
“Estavas comigo, e eu não estava contigo” (Conf., X, 27). Eis, o maior elogio que um tutor pode vir a receber dos seus tutorandos.
Até sempre.
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Hugo Chelo
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Sexta-feira, 13 de Julho de 2007
Declaração de Voto
Um partido institucionalista não pede a candidatos que renunciem aos seus mandatos para concorrerem a outros, sobretudo no mesmo âmbito, o autárquico, desde logo por princípio, mas também porque neste âmbito é tão importante a ligação entre o local e o candidato.
Com a antecipação em avalanche do calendário eleitoral, desapareceu qualquer tentativa séria de construção de um programa minimamente estudado e com equipas minimamente trabalhadas. Vai tudo a eleições com os estudos dos outros, as ideias de sempre e as novidades por palpites do momento.
Onde é que um institucionalista e pragmático-consequencialista vota? Não no António Costa, socialista, que quebrou vários mandatos eleitorais e que transformará Lisboa no prolongamento do Governo. Não no ex-Presidente Carmona, cujo grau de incapacidade e incompetência tanto surpreendeu, e que traz consigo alguma da pior vereação (urbanismo, por acaso). Não em qualquer dos pequenos candidatos, cuja eleição (a acontecer) será simbólica e apenas do cabeça de lista (talvez com a excepção de Roseta a eleger mais de 1). Vota, zangado, no António Negrão e no seu partido de sempre, o PPD-PSD. Muito zangado até, porque nem o partido nem o candidato o merecem, e o que apetece mesmo é bronzear ao sol e refrescar no atlântico.
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Manuel Pinheiro
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Parte da Culpa
Na questão do urbanismo, são tremendas as queixas sobre o estado calamitoso de algumas zonas da cidade e sobre a insuficiência da oferta de habitação. O quadro de incentivos que está montado explica uma boa parte do problema, com destaque para a pesada herança da lei das rendas, mas não explica tudo. Existem terrenos vazios ou prédios emparedados em ruas centralíssimas da cidade, e se é verdade que em alguns destes casos é a lentidão do sistema judicial a não ajudar, nomeadamente na execucção de dívidas ou na resolução de litígios sobre a propriedade (heranças, divórcios, etc.), há um outro agente crónico de empobrecimento, e ele é nem mais nem menos do que o alegado salvador: a CML e em particular o seu departamento de urbanismo.
Qualquer cidadão que já tenha tentado construir a sua casa em Lisboa sai deste departamento com menos anos de vida e com utilização mais corrente de verbo não constante do dicionário. Os arquitectos da câmara, directores municipais e, no topo, a vereação que os tutela, são os agentes locais mais nocivos ao problema que todas as pessoas querem resolver: a degradação e insuficiência da habitação.
Todos nos recordamos de um célebre anedotário trazido ao grande público pelo Nicolau Santos, no Expresso, acerca das obras numa qualquer janela num edifício banal na capital. Tentem construir uma casa e é tudo igual, mas ajustem na escala. A lei, e todas as regras obscuras e notas internas camarárias são utilizadas pelos seus funcionários não como facilitadores mas como obstáculos. E cada técnico, e são muitos, vê os seus. O resultado é uma maratona, com arquitectos da área, historiadores e mais arquitectos da estrutura consultiva (sic), directores de zona, de departamento, municipais e vereação. Até ao topo todo o burocrata gosta de indiferir e criar impasses distintos dos impasses anteriores. É um teste de fogo com armas apenas para um dos lados. Às vezes é uma equação impossível, e com opiniões distintas, nenhum dos projectos validados por qualquer das estruturas poderia ser validado na sua totalidade por todas: cada um indeferiria o do outro.
Resultado: O de acrescentar ainda mais força à espiral que se pretende destruir. Bloqueia a reabilitação e/ou a construção. Acontece que este sistema de bloqueio funciona, sem surpresa, para o cidadão comum, não funciona para o mercado profissional, com os seus canais de acesso directos que conseguem despachar de cima para baixo. O que sucede é que o pequeno prédio, a pequena vivenda, onde poderiam ser os próprios donos ou qualquer cidadão com mais algumas patacas a investir, praticamente desaparece da equação da reabilitação e construção. Um pequeno prédio, esqueçam, uma grande intervenção na Av. Infante Santo, isso é outro campeonato. Isto explica que apareçam elefantes onde não se espera e que se encontrem pequenos espaços por preencher e apodrecer por várias zonas nobres da cidade.
Qualquer pessoa que trate de perto com a decisão camarária perde-lhe rapidamente dois níveis de respeito, primeiro o intelectual, depois o pessoal. Qual é a dificuldade de estabelecer uma pequena ferramenta de trabalho que divida Lisboa em várias áreas, nas quais se realize um levantamento de prédios abandonados (ou quase), de terrenos sem construção ou de licenciamentos bloqueados há vários anos ou décadas na Câmara? E qual é a dificuldade na criação de equipas que trabalhem estes projectos e que utilizem as regras e lei para catalisador de soluções em vez da negligência presente? E porque é que esta filosofia não é transportada para a totalidade do departamento de urbanismo, de modo a que todos os novos projectos sejam submetidos a esta filosofia (de acção) e impeçam a acumulação que este tipo de ferramentas ajuda a desanuviar?
A filosofia é simples, caro proprietário o status quo não é aceitável, vamos trabalhar uma solução. Você quer construir e nós queremos que você construa. Somos parceiros, existe uma lei que temos de respeitar, e dentro desta vamos trabalhar uma solução. Não faz sentido não serem licenciados projectos absolutamente legais no cumprimento de todas as normas objectivas, mas depois são chumbados porque um arquitecto opina subjectivamente sobre algo. E ficaríamos noite fora a escrever sobre situações destas. Porque alguém não gosta de uma janela, é preferível todo um prédio emparedado. É isto a que se resume o departamento de urbanismo.
Não puxem pelo contribuinte. A Câmara tem responsabilidades graves no urbanismo, por negligência e por incompetência. Façam o seu trabalho de casa e apontem o dedo a seguir, ao que falta. Com o que existe, poderíamos estar muitíssimo melhor.
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Manuel Pinheiro
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Os Loucos Anos 80 (16)
Apesar da ira que muitas personalidades (passadas e presentes) da política americana despertam no autor, o iconoclasta Gore Vidal deixa-nos, no entanto, um retrato de Lincoln em que até as fraquezas do homem abrem espaço para a admiração. Se, para Vidal, Washington é um medíocre, Jefferson um hipócrita, FDR um candidato a ditador, T. Roosevelt um vaidoso imperialista, Wilson um refém das suas ilusões, o Lincoln de Vidal aparece como magnânimo e até heróico. Lincoln é daquelas personagens que, mesmo nos momentos de derrota, dominam irresistivelmente todos os seus contemporâneos. Apesar de, ao longo da sua vida, insistir em manter a religião a uma respeitável distância, Lincoln parece ser um enviado especial ao mundo que só poderia ter vivido naquela época e cuja vida é plenamente justificada pela acção que tem o mundo inteiro como palco. Lincoln viveu e morreu para que a União sobrevivesse.
A novela de Gore Vidal permanece, e permanecerá, como um dos grandes momentos da literatura americana. Dos anos 80 e de todos os tempos.
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Miguel Morgado
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Falta gente
Após uma campanha longa e maçadora, são já este domingo as eleições em Lisboa. Mais do que falar dos candidatos, quero recordar o maior problema da cidade, a falta de gente.Os números são assustadores: uma metrópole com três milhões de pessoas, que se estende por uma vasta área, tem uma cabeça desertificada (560 mil habitantes, Censo 2001), deprimida e envelhecida (130 mil com mais de 65 anos). Nas últimas décadas, a cidade perdeu em média 10 mil habitantes por ano, tornando-se mesmo a cidade mais envelhecida das 27 capitais da UE.
Torna-se real o slogan anarquista: tanta casa sem gente, tanta gente sem casa. Mas para enfrentar o problema não basta apenas reabilitar: estudos recentes mostram cerca de dois terços das casas vazias estão em boas condições, o que torna a situação ainda mais injusta. A reforma do arrendamento não está a resultar, pelo que a solução passa por aumentar os impostos sobre as casas devolutas. Nesse ponto a nova lei das Finanças Locais devia ter ido muito mais longe. São também urgentes políticas concretas de apoio às famílias que se queiram fixar na cidade.
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Paulo Marcelo
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