Embriagado talvez pela esmagadora vitória na primeira volta das eleições francesas, Sarkozy continua a ser visto por muita maltinha que se mexe na política e na comunicação social como um tipo perigoso. A sabedoria convencional avisava que se ele fosse eleito Presidente da República haveria caos social. Houve distúrbios, é verdade, que não passaram de casos justificadíssimos de polícia.
Pouco tempo depois, o povo francês tem a oportunidade de se pronunciar sobre a vitória de Sarkozy em eleições legislativas. Bem sei que é cedo para falar de uma "vitória esmagadora"; mas quanto à primeira volta estamos conversados: dos 577 mandatos do Parlamento francês, 110 foram decididos há uns dias e os restantes hoje. Desses 110 deputados já eleitos, 109 são do UMP e apenas 1 do Partido Socialista. Ah, mas como os meios de comunicação social disseram até à exaustão, a abstenção foi "enorme". Deram-se ao trabalho de difundir vezes sem conta umas imagens de uma mesa de voto em que o presidente da mesa virava a urna ao contrário para demonstrar que nem um voto fora colocado até então. Vitórias destas, também eu, diz o ressentido.
Na realidade, a abstenção na primeira volta atingiu os 39,56%. Número elevado, sem dúvida. Mas em 2002, também na primeira volta, a abstenção saldou-se em 39,68%. Em suma, uma taxa de abstenção que não anda longe dos níveis que normalmente se registam em eleições legislativas no continente europeu, sempre que o voto não é obrigatório. Todavia, há pessoas que não se conformam.


Sem comentários:
Enviar um comentário