Quarta-feira, 13 de Junho de 2007

O nosso Montesquieu

Continuo a ler aos bocadinhos as Memórias de Raymond Aron, recentemente editadas pela Guerra e Paz. Apesar da tradução, cada uma das centenas de páginas vale bem a leitura. Por aqui passa todo o século XX, dos ecos do caso Dreyfus aos últimos anos da Guerra Fria. A lucidez, a independência crítica de todas as modas e todos os poderes, a atenção à profundidade da história para lá da espuma dos dias, a proverbial capacidade de resumir numa fórmula o som e a fúria dos tempos - são quase vertiginosas.
Mauriac tinha razão quando chamava a Aron, com alguma ironia, "o nosso Montesquieu".
Com alguma ironia, mas com toda a razão.

4 comentários:

Anónimo disse...

E o que diria o Aron sobre os anos da presidência do George W Bush e a aventura iraquina?

Julião

Pedro Picoito disse...

Boa pergunta.
Tendo em conta a informação existente na altura da invasão, não estou nada certo que condenasse a tal "aventura". Posso citar-lhe algumas das coisas que ele escreveu contra o pacifismo nos anos 30, na altura dirigidas contra Hitler.
Mas acho que ele seria muito pouco entusiasta do voluntarismo messiânico dos neoconservadores.

Anónimo disse...

Boa resposta. Eu, pelo meu lado, habituado que estou (talvez mal) a venerar a sabedoria dos velhos (o Aron foi sempre um velho para mim) acho que ele ficaria horrorizado com a aventura e desprezaria o Bush. Não me parece sequer que ficasse muito impressionado com a "informação existente". Muitos não o ficaram, mas, hellas, como não eram o Aron, ficaram rotulados como pacifistas "aliados" dos terroristas. Li muito na altura essa dos anos 30 e do Hitler ;)

Julião

Pedro Picoito disse...

Bom, isso levava-nos longe.

P.S. Julião, não me esqueci que ainda lhe devo um post...