Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

Boas e más notícias

Curta viagem ao Egipto. Pirâmides. Nilo. Templos. Túmulos. Calor infernal. Febre, tonturas, mosquitos, pó. Uma poeira que não assenta nunca. Mesquitas a dar com um pau. Gente, muita gente. Calor infernal. «Where are you from?» «Portugal?» «Manuel José, Cajuda, Nelo Vingada.»
Um guia que fala um português quase perfeito. É muçulmano. Reza a meio das visitas, defende com a vida todos os pilares do Islão. Recusa-se a ensinar palavras feias em árabe. Não toca numa pinga de álcool. Abençoa-me o casamento, pede a Allah pelas melhoras das minhas febres.
Reflecte sobre a sua sociedade: «o Egipto é uma sociedade tão moderna quanto as ocidentais. Por cá, temos os mesmos vícios que vocês têm nas vossas. Pode-se fazer o que se quiser, só que tem de ser feito às escondidas.» Afinal também é um homem moderno. Utiliza constantemente um mote para explicar e justificar tudo na cidade do Cairo: «nada é esquisito, tudo é diferente.»

6 comentários:

x disse...

Ora muito bem vindo caro Mestre. Já tinha saudades dos seus posts.
Com que então pelo Egipto?
Muito bem. E desvendou o mistério do nariz da Esfinge?

Miguel Morgado disse...

A seguinte mensagem foi codificada: Ó Grossman de 5ª categoria, vai...

João Vasco disse...

Por falar na Esfinge, as suas três Questões, que hoje citamos com descaso, resumem o "exercício" fundamental que mantém o ser humano vinculado a uma vida que vale a pena ser vivida, quer dizer, remetendo para a afirmação de Sócrates, uma vida que é abraçada pelas faculdade maior do ser humano - a inteligência!

Que não é só raciocínio, mas sensibilidade, amor, porque não dizê-lo, que tem uma inteligência muito sua, que na expressão mais elevada, ousaria dizer, nunca se engana.

Enfim, uma viagem ao Egipto, o confronto terrível com a Esfinge, é também uma viagem interior, um mergulho sobre si mesmo, capaz de, num hiato introspectivo, medir o peso do coração contra a pena de Maat...Pequenas mortes, no quotidiano dissolvente, que nos remetem para o tempo da Verdade, onde só são e duram as essências.

Vale a pena perguntar: Quem Sou?; De Onde Venho?; Para Onde Vou?

Abraço para o Hugo.

Diogo disse...

TV Blogo – a tortura em Guantanamo vista tanto pelo prisma da Fox News como por André Azevedo Alves do blogue Insurgente

Abreu disse...

Caro professor,

Talvez o seu guia só conheça, no Ocidente, Portugal! Aposto que tem muitas semelhanças com o Egipto! Estradas, um rio grande, desertos, seca, secas, esfínges (há, pelo menos, uma em Belém).

Como dizia o Almada Negreiros, todos os povos têm vícios e virtudes: Força, Portugueses, só vos faltam as virtudes!

Vamos a isso!

Abraço

Nuno Gonçalves disse...

Eu bem que te avisei para teres cuidado com o Egipto, não quiseste acreditar...

Eu digo, é a maldição do Tukan...

Fugir, fugir meus senhores de coisas dessas. Viajar para países desses em Junho é realmente um disparate que não lembra a ninguém...

Ah! não, lembra a ti...