Com o anúncio da iminente transferência de mais alguns milhões de euros provindos de Bruxelas, o País respeitável reconheceu duas "grandes certezas" ou dois "consensos importantes". Em primeiro lugar, os últimos vinte anos narraram a penosa história do "desperdício" de muitos milhões, os quais, se tivessem conhecido bom destino, poderiam ter impedido a desgraça económica contemporânea; com a lição aprendida, não se cometerá o mesmo erro duas vezes. Em segundo lugar, a impreparação dos portugueses constitui o grande defeito da Nação; logo, a "formação" é agora a "tarefa" (ou o "desígnio", ou o "desafio") nacional. Não discuto a vacuidade das proposições. Limito-me a constatar a esperança (com "responsabilidade", evidentemente) com que a Pátria acolheu esta segunda (e, atenção, a "última", porque a Leste também há quem precise, etc., etc.) oportunidade. Depois do acto colectivo de contrição, vieram as promessas de emenda. Claro que a descoberta necessária já foi feita pela inteligência portuguesa: há que aproveitar estes novos apoios europeus para investir "a sério" na formação. Pacientemente, esperaremos pelo momento em que a inteligência lusitana perceba a contradição que esta descoberta luminosa encerra. Como alternativa, temos sempre a possibilidade de escrever o mesmo post daqui por vinte anos.


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