Francamente, não percebo a irritação de tanta gente com a entrevista de Cavaco à SIC. Também me arrepiou aquele "nós" para se referir ao Governo, mas estavam à espera de quê? Por incrível que pareça, ele está apenas a fazer no poder o que disse que ia fazer em campanha. Acusaram-no de planear um golpe de Estado constitucional, e negou sempre. Acusaram-no de querer levar o PSD ao colo, e negou sempre. De resto, só quem não o conhecesse (ou estivesse cego pelo amor a Soares, caso do próprio) poderia acreditar em tais dislates. Cavaco não vai mexer uma palha contra Sócrates no primeiro mandato, a não ser em situação - altamente improvável, aliás - de crise parlamentar ou governativa. O segundo mandato será outra história, mas para já o Presidente da República está apenas a preparar a sua reeleição em apoteose. Enfrentar um partido com maioria absoluta é a última coisa que lhe interessa. Se o PSD quer oposição ao Governo, que a faça. Foi para isso que votei em Marques Mendes. Não foi para isso que votei em Cavaco.
Domingo, 26 de Novembro de 2006
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7 comentários:
O que dizer de um regime em que o Presidente adopta um comportamento diferente durante o primeiro e segundo mandatos por motivos meramente eleitorais? O que é isso de "reeleição em apoteose"?
Acho que à primeira pergunta deve responder o dr. Mário Soares. Quanto à segunda, reeleição em apoteose é ganhar as próximas presidenciais com um resultado melhor, nem que seja por um voto, do que o da reeleição de Soares
Ou estou redondamente enganado (aceito bem essa hipótese), ou o Dr. Cavaco Silva vai mesmo surpreender, superando todas as espectativas ou especulações do sabedores da nossa praça.
Nem é por nenhum afecto ou simpatia especial quento à persona do Magno Magistrado da Nação, mas porque a atitude com que ele próprio agarrou esse projecto é a prova de que as coisas têm de ser diferentes. Sei do incómodo dos "amigos" da direita pelo facto de existir esse entendimento estratégico e altamente constructivo entre o Presidente da República e o Engenheiro José Sócrates, mas "la force des choses" assim obriga, e penso não haver tanto maquiavelismo por parte de Belém.
Precisamente Pedro, talvez se pudesse esperar que o comportamento de um fosse diferente do comportamento do outro. De qualquer modo, a minha pergunta nada tinha a ver com pessoas e partidos, mas antes, repito, com "um regime em que o Presidente adopta um comportamento diferente durante o primeiro e segundo mandatos por motivos meramente eleitorais." Um bom regime não é aquele em que o Magno Magistrado da Nação age incondicionalmente no sentido do bem comum dos portugueses?
Pedro, o meu querido amigo Lobo parece esquecer que o regime constitucional, representativo, liberal (etc., etc., etc.) assume explicitamente que procura suprir, "por meio de interesses opostos e rivais, a falta de melhores motivos". Mas o Lobo sabe isto muito bem, não é?
Quem votou no Cavaco foi com a expectativa de ele fazer exactamente o que está a fazer: apoiar quem está a trabalhar, em algumas áreas melhor e noutras pior. Só malta do aparelho, e pouco mais, é que pode estar indignada. A direita ainda está a recuperar do Santanismo/Portismo.
Conversa entre um homem e uma mulher:
Ele: "O problema com vocês, mulheres, é o de levarem as coisas sempre a peito... de interpretarem as coisas de modo pessoal..."
Ela: "Não concordo... Eu não sou nada assim!"
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