Sexta-feira, Julho 04, 2008
Quinta-feira, Julho 03, 2008
Os narcisos do progresso
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Pedro Picoito
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Manuela Ferreira Leite
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Nuno Lobo
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A questão do casamento
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Nuno Lobo
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Da série "A concorrência faz melhor" (1)
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Pedro Picoito
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Da série "A concorrência faz melhor" (2)
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Pedro Picoito
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Estado da Graça
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Miguel Morgado
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Quarta-feira, Julho 02, 2008
A telegenia de Sócrates (2)
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Carlos Botelho
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9:53 PM
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A telegenia de Sócrates
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Carlos Botelho
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9:02 PM
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Os juros
"No entanto, a taxa de juro teria descido mais se o Deficit tivesse descido em vez de subir"
"Endividamento do estado só é racional se (...) compensar a consequente subida dos juros."
Mas porque a honestidade intelectual é uma coisa muito bonita, é melhor acrescentar que partilho uma parte da opinião actual do João. Há uma série de razões pelas quais o acréscimo do endividamento do estado deve ser criticado neste momento, mesmo sob a óptica do peso do endiviadmento externo e do nosso score na balança de transações correntes. Não colocaria no início o hipotético aumento da taxa de juro, via alegado aumento dos spreads para os créditos em Portugal, causada pelo acenado endividamento do estado.
Há bastante trabalho académico e empresarial sobre as taxas de juro e a relação com as políticas orçamentais públicas. E o que é que nos diz, por exemplo, a NBER num estudo coordenado por Robert Barro? Que para efeitos de determinação das taxas de juro importa a dívida do país em percentagem do PIB e não o défice, e que a dívida internacional importa mais do que a dívida de um país isoladamente. Como Portugal é um país pequeno, a nossa contribuição para este "agregado" internacional é marginal, senão mesmo negligenciável. Num agregado de 12 países constituido pelos EUA, Canadá, Japão, Austrália e alguns países europeus, estimou-se que se a dívida de cada um destes países aumentasse 1%, a taxa de juro aumentaria 0,1%. Mas se esse 1% aumentasse apenas nos EUA, a taxa de juro aumentaria apenas 0,05%.
Mesmo no cenário de maior escassez relativa de capital e maior cuidado na concessão de crédito, tenho dúvidas que o acrescento no spread de empresas e famílias fosse tão forte ao ponto de ser preferível não realizar as ditas "obras" pelo impacto negativo nos orçamentos e opções destas. O problema está bem centrado por Manuela Ferreira Leite na discussão da utilidade e do custo, e fará bem em alertar para os nossos níveis de endividamento interno e externo e para o estado da balança de transações correntes. O impacto que isto tem exclusivamente nos juros não deve ser o que mais preocupe, pelo menos até prova em contrário.
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Manuel Pinheiro
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3:05 PM
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Terça-feira, Julho 01, 2008
Política liberal de género
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Carlos Botelho
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11:42 PM
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Arte, democracia e o resto (1)
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Pedro Picoito
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Ano Paulino
[A Conversão no Caminho de Damasco, Caravaggio, 1601]
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Paulo Marcelo
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Segunda-feira, Junho 30, 2008
Branding
Jornalista B: ... FC Porto?
Jornalista C: ... FC Porto?
Pelo que tenho entretanto lido em diversa imprensa internacional, e independentemente das decisões passadas e futuras da UEFA sobre o caso, a mensagem de Platini sobre o FCP passou. E de que forma.
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Manuel Pinheiro
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2:58 PM
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A minha teoria da conspiração é maior que a tua
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Pedro Picoito
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11:15 AM
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Domingo, Junho 29, 2008
Uns e outros
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Nuno Lobo
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8:05 PM
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Sucesso
Na verdade, a Directora Regional de Educação do Norte acabou por revelar o princípio que regula, a ideia que enforma a política de educação do seu Ministério em particular e do Governo. (Chega a ser divertido ver como estas pessoas, na volúpia do seu poderzinho, não resistem a “fazer” doutrina e exteriorizam, assim, para a ilustração dos indígenas, o seu “pensamento”, sem dúvida conscientes da sua elevada missão. Daí o tom de injunção moral, sentencioso, insuportavelmente “catequético”: a criatura atreve-se a perorar sobre “o que louva o trabalho do professor” etc )
O que importa é o “sucesso” (palavra mágica de virtudes ocultas), o sacro “sucesso”. “Os alunos têm direito a ter sucesso.” Não. Os alunos não têm direito ao “sucesso”. Os alunos têm, sim, direito a que lhes sejam garantidas as condições para poderem obter “sucesso”. Ou melhor, alcançar o “sucesso”. Os alunos devem ser postos perante a possibilidade do seu “sucesso”. A possibilidade tem de lhes estar garantida. Os esforços para isso nunca serão de mais. Mas não é o “sucesso” que é garantido. O “sucesso” é mais um mérito do que um direito.
O “pensamento” do Governo (revelado pelas tocantes injunções da DREN) é um insulto aos alunos e aos professores. Insulta os alunos, porque parte claramente do princípio que um aluno é uma entidade meramente passiva a quem é oferecido o “sucesso”. Não vale a pena exigir esforço, porque nunca o conseguiriam: não tem mal, aqui tens o teu "sucesso", toma-o, tens direito a ele. Insulta os professores, porque os ridiculariza, dando-lhes o sinal (e em forma de argumento ad baculum!) de que têm de baixar o grau de exigência e devem limitar-se a ser fornecedores de “sucesso”. Devem dar em bandeja ao aluno o terminus ad quem de todo um percurso sem verificarem se ele adquiriu as competências para caminhar até lá. Quer dizer, o “sucesso” não se discute. É um direito. Não sejamos ingénuos: aquelas frasezinhas da DREN condicionam não só o escrutínio dos correctores como o próprio sentido da tarefa do professor em geral. E têm um efeito verdadeiramente criminoso nos alunos. Criminoso.
Pede-se que o “sucesso” tenha correspondência numa efectiva apropriação de conhecimentos? Não. Exige-se que o “sucesso” seja carimbado nos alunos. Ao invés de todo o sentido, preconiza-se que não tem de haver (não deve haver!) uma qualidade efectiva que corresponda ao carimbo do “sucesso”. O que está por detrás deste “sucesso”? O vazio.
Não se trata de alcançar ou obter melhores resultados. Trata-se de mostrar melhores resultados. Se necessário, fabricam-se. Falsificam-se. Para uma coisa tão séria como o Ensino, esta gente procura uma solução meramente “retórica”.
Não se trata já de conformar, violentando-a, a realidade à “ideologia”. Trata-se antes de algo mais perverso, mais doentio. Esta gente trata de substituir a realidade pela “ideologia”.
“Os alunos têm direito a ter sucesso”. E, no entanto, àqueles que são realmente direitos dos alunos, direitos silenciosos, direitos cuja satisfação não se presta a anúncios de fanfarra e trombeta, a esses, o Governo mostra indiferença (quando não os atropela) e mente sem vergonha. É o caso desta história edificante do “Ensino Especial”.
O que aquela gente pensa, mas não se atreve a dizer, de cada vez que os mais conscienciosos se indignam com as trapaças dos exames, é isto:
“O quê? Estão doidos? Queriam fazer exames a sério aos nossos alunos, não?”
Para eles, os alunos portugueses não são merecedores de um Ensino a sério. Não valem a pena. Por isso, faz-se uma coisa a fingir. Brinca-se à Escola. O brinquedo somos nós todos.
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Carlos Botelho
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O "Futebol" que Temos
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Fernando Martins
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12:10 AM
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Etiquetas: Corrupção no Futebol Português.
Sábado, Junho 28, 2008
"... kiss my ass."
Ao que parece Bill Clinton só sairá em apoio de Obama depois deste "lhe beijar o rabo". No entanto, e a avaliar por umas palavrinhas proferidas pelo mesmo Obama no "comício" com Hillary Clinton em Unity ("I know how much we need both Bill and Hillary Clinton as a party. They have done so much great work. We need them badly."), é óbvio que o homem da "esperança" não só já está a beijar há muito os rabos do casal Clinton, como irá a beijar o que for preciso para contar com o apoio do ex. presidente e da ex. primeira dama e sua rival nas primárias. Ainda assim não será por isso que Obama deixará de ser o homem dos "princípios" e da certeza na luta contra o "sistema" lá da terrinha.
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Fernando Martins
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11:38 PM
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Etiquetas: Barack Obama; Bill Clinton; Hillary Clinton.
Sexta-feira, Junho 27, 2008
A purga
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Carlos Botelho
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3:53 PM
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Alvo: Trichet e BCE
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Miguel Morgado
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3:44 PM
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Father Knows Best
Isso seria apenas parcialmente verdade se os cidadãos fossem incapazes de uma aplicação mais eficiente dos seus recursos, se fossem incapazes de detectar melhores "oportunidades de negócio", de gerar melhor oferta e "procura de serviços profissionais". Se os recursos não forem retirados aos privados, eles não vão parar ao fundo do mar sem utilização, terão uma aplicação alternativa que tudo indica ser mais eficiente do ponto de vista económico que a aplicação estatal em Portugal neste momento, dados os valores globais que estamos a falar (o que não quer dizer que não haja individualmente investimentos que se justifiquem).
O que Vital Moreira tem de explicar para justificar a generalidade que afirma, é porque é que retirando dinheiro aos privados, limitando-lhes ainda mais a tal capacidade de iniciativa, e dando-o ao estado, que por sua vez irá pagar a sua despesa burocrática de funcionamento antes de lançar o que restar em investimentos cuja última decisão é política, será melhor do que deixar estes mesmos recursos no bolso dos contribuintes.
Keynes seria o primeiro a não concordar com a visão de Vital Moreira, o diagnóstico dos problemas económicos do país tem sobretudo que ver com eficiência, produtividade e competitividade, aos quais se juntam alguns problemas financeiros e macroeconómicos (ex: défice externo, défice contas públicas, dívida pública, peso da fiscalidade, etc). E deste ponto de vista em que espécie de análise custo-benefício, com aplicação alternativa de recursos, se baseia Vital Moreira para defender a globalidade do "pacote de investimentos" para além dessa defesa ideológica e algo mitológica das alegadas bondades intrínsecas do investimento público?
Ouvi uma vez o ministro Pinho, um ou dois dias depois da demissão de Campos e Cunha, fazer exactamente o mesmo tipo de defesa ideológica cada vez que da plateia da Ordem dos Economistas surgiam questões específicas sobre determinados projectos, sobretudo dos grandes. Não convenceu, preocupou e criou uma escalada no tom das perguntas, ao ponto de lhe ser questionado se ele era ministro da economia (dos cidadãos e das empresas) ou uma espécie de ministro do plano descontextualizado no tempo e no espaço.
O que Vital Moreira diz é preocupante, pois é bem possível que seja quase só isso que Sócrates, Pinho e Lino nos tenham para dizer. Investimento, "dinamização" da economia? O Estado é que sabe. Já vimos este argumento na tela, o final não é feliz.
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Manuel Pinheiro
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12:24 PM
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Da série «outras leituras»
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Paulo Marcelo
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11:12 AM
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Quinta-feira, Junho 26, 2008
Diogo Chang Faria
Anda, por aqui, uma jovem e promissora (boa) notícia para quem gosta de guitarra.
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Gonçalo M Vassalo Moita
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5:29 PM
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Do cinismo como política educativa
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Pedro Picoito
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2:39 PM
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Quarta-feira, Junho 25, 2008
Sossego e propostas
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Manuel Pinheiro
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4:48 PM
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Terça-feira, Junho 24, 2008
Segunda-feira, Junho 23, 2008
Palavras há muitas (2)
O desafio que lancei no meu post era o de questionar a natureza da retórica de Obama. Para João Galamba, o desafio foi exemplarmente superado por José Manuel dos Santos. E o que é que faz José Manuel dos Santos no seu artigo do Expresso? Enuncia os três meios retóricos elementares estudados por Aristóteles, nomeadamente o argumento (logos), a emoção (pathos) e o carácter (ethos), ao mesmo tempo que afirma que Obama convence porque argumenta, porque emociona, porque há um “eu” que diz “vós” e é reconhecido. Para José Manuel dos Santos, ouvir Obama é voltar a ler a Retórica de Aristótles.
Mas não chega. A verdade é que, durante as primárias, a principal crítica a que Obama foi sujeito é a de ter um discurso vazio. Sem conteúdo. Centrado na sua pessoa. Um discurso com palavras sonantes como "mudança" e "esperança" e "sonho" ou slogans circulares do género "Nós somos aqueles por quem temos esperado". Não é difícil concluir que todos nós queremos a "mudança" para melhor. Não é difícil concluir que todos nós queremos ter "esperança" em vez de estarmos desesperados. Não é difícil concluir que todos nós temos um "sonho" que queremos realizar. Mas importa perguntar qual o sentido da mudança?! Importa perguntar qual o sentido da esperança?! Importa perguntar em que medida o sonho pode ser realizado?! É aqui que deve começar o argumento e acabar a má retórica (a mera produção de emoções na audiência). E é aqui, precisamente, que Obama se cala.
Em relação a João Galamba, a aposta parece ser na distinção do posicionamento de Platão e Aristóteles face à retórica. Sou capaz de acompanhar João Galamba quando ele afirma no seu post que Aristóteles procurou "reabilitar" o significado da retórica. Mas importa acrescentar que Aristóteles tentou reabilitar acima de tudo o elemento argumentativo da retórica, contra aqueles que a reduziam à mera produção de emoções na audiência. Neste sentido, Aristóteles seria hoje um acérrimo crítico da retórica de Obama. É importante lembrar que Aristóteles define a retórica como sendo a “antístrofe” da dialéctica. Para Aristóteles, uma coisa é a antístrofe de outra quando aquela pode ser convertida nesta, isto é, quando a relação que se estabelece entre os dois termos é de reciprocidade e reversibilidade. Dizer que a retórica é a antístrofe da dialéctica significa dizer que discurso político e a filosofia estão numa relação de reciprocidade e reversibilidade. Eis a boa retórica.
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Nuno Lobo
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8:38 PM
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